O jornalista e colunista da Folha Armando Nogueira participou ontem, em Curitiba, da abertura do Curso de Pós-graduação em Administração Esportiva da Universidade do Esporte. Nogueira deu a aula inaugural do curso, que é inédito no País. Muito à vontade, ele elogiou a iniciativa e matriculou-se como ‘‘aluno ouvinte’’.
Armando atentou para a importância em se formar uma nova geração de profissionais do esporte. Ele alertou, contudo, para um mal que julga estar acontecendo com a ‘‘massificação’’ do esporte: ‘‘Temos de tomar cuidado com um mal que assola o esporte. Hoje o esporte está sendo visto como um meio e não como um fim’’. Armando Nogueira se referiu às empresas que estão apostando no esporte somente como uma fonte de renda e não como uma fonte de lazer.
Para o jornalista, o curso de pós-graduação em esporte é uma oportunidade única para preparar uma elite que pense e repense o esporte com fins claros e éticos, e não apenas como uma forma de obtenção de lucro. ‘‘O Brasil precisa de pessoas preparadas, capazes de dialogar sobre para quê serve o esporte’’, afirmou.
Armando Nogueira disse ainda que teme ‘‘pela mercantilização do esporte, principalmente no futebol’’. Citou o Manchester United, da Inglaterra, que colocou suas ações na Bolsa de Londres em 1991 e viu seu patrimônio crescer US$ 50 milhões. ‘‘Até aí tudo bem’’, disse. ‘‘Mas o meu medo é que dois clubes de um mesmo dono venham a disputar uma final e quem vai determinar o vencedor não é a bola, e sim a Bolsa de Valores.’’
Por fim, o jornalista defendeu uma teoria que pode ser muito polêmica: a da extinção, nos próximos anos, da Seleção Brasileira de futebol. ‘‘Antigamente não havia campeonatos de seleções estaduais?’’, indagou. ‘‘E acabaram’’, disse. ‘‘É uma tendência, pois, com a profissionalização cada vez maior dos clubes, eles não vão querer emprestar os seus jogadores para ficar 40 dias servindo a Seleção.’’

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