São Paulo, 28 (AE) - Os amantes do chamado esporte de aventura - que reúne diversas modalidades esportivas - começam o ano com duas novidades: a Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura (SBCA) e um calendário de provas, o Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura. A SBCA foi criada com a proposta de dar suporte a organização de corridas de aventura no país e a criação de cursos para os interessados em participar do esporte, através da EMA Escola. A idéia surgiu a partir do acentuado crescimento do número de participantes desse esporte radical no Brasil desde 1998 - ano em que foi realizada a primeira prova do gênero, a Expedição Mata Atlântica (EMA).
"Nosso objetivo é evitar que o conceito original de corridas de aventura acabe se perdendo ou seja desviado por causa de um crescimento desordenado", diz Alexandre Freitas, presidente da SBCA. Só para se ter uma idéia, o primeiro EMA, em 98, contou com a participação 30 equipes - 90 atletas -, sendo duas estrangeiras, da Nova Zelândia. A partir dessa experiência, outras provas, de menor tempo de duração, foram realizadas em vários locais do país. A segunda edição da EMA reuniu 33 equipes (sendo 6 estrangeiras), com 99 atletas.
Para este ano, o número de participantes da EMA foi limitado a 99 pessoas, divididas em 33 equipes. A expectativa dos organizadores é que a participação estrangeira aumente para algo entre 12 e 15 equipes. "A EMA está entre as sete maiores corridas de aventura do mundo", diz Freitas. "O interesse vem crescendo tanto que pelo menos 70% das equipes que irão participar da EMA este ano deverão contar com um patrocinador", conta.
Educação - Além de reunir em uma única prova várias modalidades esportivas - como rapel, rafting, mountain biking, etc -, as corridas de aventura têm como diferencial a preocupação com questões sociais e ambientais. Assim como a Elf Authentique Aventure, a maior do mundo e que este ano será realizado no Brasil, a EMA e todas as demais provas do Circuito Brasileiro exigem das equipes a execução de um projeto social ou ambiental nos locais onde são realizadas.
"Essa é uma forma de educar, de conscientizar as pessoas da maior riqueza deste país, que é a natureza", diz Freitas. Em 99
por exemplo, todos os participantes da EMA ajudaram a plantar 230 mudas de palmito numa área preservada da Mata Atlântica, sob a orientação de guardas do parque. Aos competidores é proibido deixar qualquer sinal de sua passagem pela mata, como jogar papel, sob pena de desclassificação.
Orientação - Outra característica das corridas de aventura é a surpresa. Os participantes recebem o mapa com o percurso da prova e as coordenadas dos Pontos de Controle (PCs) - que têm de passar em cada etapa - cerca de 12 horas antes da largada. As equipes têm apenas essas horas para estudar o trajeto e definir sua estratégia. Durante o percurso, os participantes orientam-se apenas com o uso de mapas e bússola.
Em algumas provas maiores, como o Elf é permitido o uso de GPS (sistema de navegação por satélite), contudo, isso não reduz a necessidade do competidor de dominar as técnicas de navegação. Freitas ressalta também a importância do conjunto, do entrosamento da equipe.
"O treinamento adequado e o condicionamento físico são importantes em provas longas, como a EMA e o Elf. Mas a chave para o sucesso de uma equipe é o bom relacionamento entre os seus membros. Sem entrosamento, a equipe não prossegue na prova", explica.
Calendário - O calendário de provas do Circuito Brasileiro prevê, por enquanto, a EMA e a realização de quatro provas curtas, de 24 a 30 horas de duração. O destaque do ano é o Elf Authentique Aventure, que a cada edição é realizado num país diferente. O primeiro, no ano passado, teve como cenário as Filipinas, que receberam 22 equipes de 14 nacionalidades. Oito equipes brasileiras estão inscritas para a competição que é realizada sempre na segunda quinzena de abril. Informações sobre as provas e inscrições podem ser obtidas no site www.ema.com.br.

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