O vento soprando na ilha, varrendo as praias e a mata, gaivotas flutuando nos morros, nenhum barulho por perto... a não ser o assobio do vento. De repente: Um! Dois! Cinco! Quinze paragliders cortando o céu azul, zuummm! É o rastro dos gliders colorindo a harmonia da ilha. O prazer de voar é indescritível! Desde as areias brancas da Ilha do Mel, até as montanhas da Serra do Mar ou nos campos dos planaltos do interior, os pilotos paranaenses dispõem de altos picos para a prática do paragliding.
O Paraglider – ou Parapente (na sua versão francesa) – vem crescendo de forma vertiginosa em todo o mundo. Segundo o instrutor e proprietário da escola curitibana Max Paragliding, Maximilian Hoechsteiner, na Europa o número de praticantes já passa de 500 mil. Este novo esporte aéreo permite que o piloto se desloque para cima e, se as condições climáticas forem favoráveis, se mantenha no ar por algumas horas... O recorde mundial é de 337 Km percorridos.
– Ao pilotar um paraglider, você tem a sensação de paz e tranquilidade, pois está em contato constante com a natureza - descreve Max.
No Paraná, assim como em outros estados, o número de praticantes e simpatizantes do esporte chegou a tal ponto que foi necessária a criação de uma associação para agrupar a todos, a APPAR (Associação de Paraglider do Paraná), que tem como objetivo incentivar o esporte, organizando eventos e servindo como fonte de informação para toda a comunidade. A seguir, os principais trechos dae uma entrevista com o presidente desta instituição, Afonso Lopes.
Folha – Como se originou o paragliding?
Lopes – O paragliding, ou parapente, é um esporte aéreo que se originou dos pára-quedas usados por alpinistas após as escaladas. Eles precisavam facilitar as descidas das montanhas, após as árduas escaladas. Com o tempo, esses pára-quedas foram evoluindo e seguindo o caminho do vôo livre, do vôo planado, transformando-se numa nova modalidade de esporte: o paragliding.
Folha – Como se diferencia do pára-quedismo?
Lopes – O pára-quedismo foi feito para atenuar a queda. Já o paragliding, para voar num sentido horizontal, ele tem planeio. Com o paraglider podemos aproveitar as massas de ar quente que se desprendem do chão, as chamadas térmicas, o que possibilita a subida do piloto, podendo atingir as bases das nuvens, muitas vezes atravessando-as (entubando), uma das manobras mais intensas do esporte.
Folha – O paraglider é um esporte seguro?
Lopes – Sim, muito seguro. Desde que se tenha o conhecimento necessário e que se respeite todas as regras do vôo livre. Certos equipamentos são indispensáveis para um vôo seguro: botas, luvas, capacete, macacão, rádio.. E o airbag, localizado embaixo da ‘cadeirinha’ do piloto, tem a função de atenuar o pouso em terreno irregular.
Folha – O que é necessário para ser um piloto de paraglider?
Lopes – Vontade de voar, fazer o curso que tem duração de 60 a 90 dias e ter um pouco de capital – o investimento inicial é de R$ 2.100,00, R$1.500,00 para adquirir um equipamento usado e R$ 600,00 para o curso. Quanto à idade, legalmente a partir dos 18 anos, podendo ser praticado até por idosos – é preciso estar lúcido. Existem deficientes que praticam o esporte.
Folha – E para fazer um vôo de experimentação?
Lopes – Só através de um vôo duplo acompanhado por um piloto habilitado, sem a necessidade do curso.
Folha – Como anda o crescimento do esporte no Paraná?
Lopes – Acreditamos que o paraglider é um dos esportes que mais cresce no mundo, tanto pela facilidade de aprendizagem, como pelos baixíssimos custos da prática do esporte, uma vez feito o investimento inicial. Para voar o atleta precisa do seu equipamento, do morro e da vontade de voar... No Paraná somos em torno de uns 150 pilotos, sendo que a metade ingressou no esporte há dois anos. A tendência é crescer cada vez mais.
Folha – Há investimentos e patrocínios de empresas?
Lopes – Os empresários vêm utilizando o paraglider como mídia alternativa para exposição de sua marca. Funciona como um outdoor móvel: em vez das pessoas passarem em frente à mensagem, como no caso de um outdoor tradicional, a mensagem vai até as pessoas. Este tipo de mídia está começando a acontecer na praia na alta temporada. O paraglider oferece uma área que vai entre 22 a 32 metros quadrados. A empresa pioneira em acreditar neste tipo de mídia foi a COPEL, que há dois anos patrocina e incentiva dois pilotos. Seguindo o exemplo, logo vieram outras empresas, Snake, TVA, ESPN, Toalheiros Curitibano, Gboex, Sol Paragliders e apoios de prefeituras que recebem os diferentes eventos da associação.

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