Esporte beneficia portadores de deficiências
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sexta-feira, 07 de abril de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Muito se fala sobre a importância da prática do esporte para a população em geral, mas pouco se sabe sobre benefícios que ele traz aos portadores de deficiência física e mental. Ontem à tarde, deu para se ter idéia dessa inter-relação ao conversar com alguns dos participantes da segunda etapa dos Jogos Abertos Paradesportivos do Brasil, que estão acontecendo em Londrina e prosseguem até amanhã.
A competição reúne aproximadamente 60 atletas de cinco associações do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As modalidades em disputa são levantamento de peso, atletismo, natação e tênis de mesa.
Entre os presentes à solenidade de abertura, no Moringão, um dos mais empolgados com a descoberta do esporte em sua vida era o funcionário público João Manoel Silveira, o Maneco, 37 anos, de Sarandi (RS), cidade próxima a Passo Fundo. Desde que teve a perna direita amputada, devido a uma bala perdida que o atingiu, em 1992, Maneco usa muletas.
''A vida continuou, mas aí passei a ficar muito parado e fumava demais'', recorda. Até que, há um ano e meio, descobriu seu potencial para o atletismo. Desde então, competindo pela Associação Cristã de Deficientes (ACD), de Passo Fundo, já ganhou 10 medalhas de ouro no arremesso de peso e lançamento de dardo em campeonatos da região Sul.
Ele passou a treinar com disciplina, mas ainda não havia largado o cigarro. ''Só quando comecei na natação, há oito meses, é que vi que nadar e fumar não combinam. Daí larguei o cigarro e aproveitei também para parar de beber'', testemunhou.
Outro que estava animado era o aluno da APS Down de Londrina, Eduardo de Toledo Tito, 41, que participou de uma apresentação de karatê feita por adolescentes especiais. ''Gosto muito de lutar e treino há quatro anos. O que mais gosto no karatê é da parte de ginástica'', contou. O professor da Unopar, Mario Molari, que orienta o grupo, garante que a atividade traz melhoras aos especiais na parte social ''e principalmente na coordenação motora''.
O diretor de natação da Associação Brasileira de Desporto em Cadeira de Rodas (Abradecar), José Rosélio Villar, que veio de Natal especialmente para o evento, disse que o objetivo desta competição, voltada a iniciantes, é motivá-los para o esporte. ''A meta é tirar mesmo o deficiente de casa para ele ver o quanto pode fazer em benefício de si mesmo'', enfatizou.


