Esporte amador sofre com falta de patrocínio
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sábado, 22 de setembro de 2001
Rodrigo Sais<br> De Curitiba 
Se é o dinheiro que faz o mundo girar, no esporte a máxima é ainda mais verdadeira. Em todo o país, atletas amadores dividem seu tempo entre a prática esportiva e a busca de patrocínio para financiar suas atividades. A falta de verba faz com que muitos talentos desistam no meio do caminho.
Os mais atingidos são os praticantes de modalidades pouco populares no país, que tem pouca exibição na mídia, e por consequência, não interessam a potenciais patrocinadores. É o caso do rugby, por exemplo. ''Ninguém quer patrocinar uma equipe de rugby, porque a prioridade das empresas acaba sendo os esportes mais populares. Nem mesmo a Prefeitura dá apoio'', lamenta Renato Dedine, do Curitiba Rugby Clube.
À procura de financiamento para um projeto do clube que visava ao ensino do rugby em comunidades carentes, Dedine chegou a procurar apoio entre políticos da capital paranaense. Segundo ele, recebeu um sonoro festival de ''nãos'' em todas as tentativas. ''Pessoalmente, penso que os políticos só apóiam iniciativas que podem ser transformadas em votos nas próximas eleições''.
Jogar a culpa pela falta de incentivo ao esporte em cima das empresas é prática comum entre os esportistas. Mas o empresário Edgar Hubner acredita que o problema também está na falta de planejamento dos próprios atletas, que não se organizam na hora de solicitar o patrocínio. A empresa de Hubner organiza anualmente a Curitiba International Cup, o maior torneio de handebol do mundo voltado ao público juvenil, e nunca teve problemas para alavancar verbas para o evento. ''No Brasil, falta uma cultura profissional no esporte. O desportista tem que saber vender seu produto'' analisa.
Para o empresário, o erro dos atletas está em acreditar que as empresas estejam interessadas em apoiar o esporte sem esperar retorno. ''O Banco do Brasil não apóia o vôlei porque o presidente da instituição é fanático pelo esporte. Ele patrocina porque sabe que terá um retorno na mídia proporcional ao seu gasto. Cabe ao atleta ser criativo e mostrar ao empresário as formas que ele poderá mostrar sua marca para o público através do patrocínio'', afirma Hubner.
O administrador do Portal Plaza Shopping, Benito Gioppo, discorda de Hubner. O shopping, que ainda não foi inaugurado oficialmente, fornece material esportivo para jovens que participam do projeto ''Da Rua para Quadra''. O projeto estimula a prática do voleibol entre o bairro do Boqueirão. ''Nossa empresa é nova, mas queremos dar o exemplo desde já. Acredito que todas as empresas devem ter uma responsabilidade social. Ao contrário do que muitos pensam, com pouco investimento podemos fazer muito'', afirma Gioppo. ''Não temos interesse em ter nossa marca exposta na mídia. Apenas queremos fazer nossa parte'', conclui.


