Londrina é referência no automobilismo nacional. Recebe provas de renome como a Fórmula Truck, GT3, Stock Car e F-3 Sulamericana, que aglutinam um público expressivo. Mas existe um problema crônico que ninguém consegue resolver. Cativar o mesmo público para prestigiar eventos regionais, como o Campeonato Metropolitano. Se dependesse dos torcedores, tais eventos estariam extintos há muito tempo.
Segundo Sandro Dias, proprietário de equipe e da escola de pilotagem RPMs, o principal motivo apontado pelos assíduos da pista londrinenses é a falta de estrutura confortável como arquibancadas e banheiros. Outra falha grave é o desenho do traçado, que tem muitos 'pontos cegos' e oferece baixa visibilidade.
Ele acredita que os fatores citados acabam prevalecendo, mesmo com intenso trabalho de divulgação. ''Ninguém quer ficar no sol 'torrando'. Tem que ter um mínimo de conforto. Fizeram o autódromo pensando nos pilotos e não como uma opção de lazer para a população'', critica.
O piloto Juliano Ribeirete, que corre na Speed Fusca com o carro 28, acredita que pelo tamanho do Campeonato Metropolitano o público não é dos piores. Porém, observa que perto de Cascavel ''não é nada''. ''É impressionante. Lá eles pagam para assistir ao regional. O público começa a montar o acampamento na sexta-feira à noite. Tudo para ver Gol e Fusca correr'', ressalta.
Dias acompanhou de perto a movimentação no autódromo cascavelense e aponta tradição e visibilidade como pontos favoráveis. ''Londrina tem apenas 20% de visibilidade da pista. A diferença é esta. Em Cascavel, de qualquer ponto dá para ver 70% das pista'', aponta.
Ele acredita que o maior erro foi feito na hora do projeto inicial, que focou ''o piloto e não o público''. ''Hoje não dá para desmontar o autódromo e mudar a estrutura. Mas dá para investir em mais conforto, o que traria mais receita'', acredita citando a parceira do Automóvel Clube com a Petrobras que poderia ser usada para melhorar o espaço.
O presidente do Automóvel Clube do Café (ACC), Robson Ranieri, aceita apenas uma explicação: ''o automobilismo não é a praia do londrinense''. Para ele, mesmo provas de respaldo nacional levam um público aquém do pontencial da cidade.
''A Stock traz no máximo 15 mil. A Truck, se trouxe neste ano 35 mil, pode ter certeza que a maioria veio da região metropolitana, Maringá e até Presidente Prudente. De Londrina é muito pouco'', assevera.
Ranieri conta que, desde o ano passado, o ACC está investindo em publicidade, mas não obtém retorno. ''Revertemos renda para o Hospital do Câncer, trouxemos Classic Cup e nada. Acho que não é a cultura local. O povo aqui gosta de futebol, ir em clubes, caminhar e pescar'', ironiza.

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