Desde o ano 2000 para cá, uma estatística chama a atenção no atletismo brasileiro. Somando-se todas as edições de duas competições de altíssimo nível da modalidade (Campeonatos Mundiais em pista aberta e Jogos Olímpicos) neste período, a Seleção Brasileira ou ganhou apenas uma medalha, ou saiu da competição de mãos vazias. Foram dez grandes eventos nestes 13 anos, com seis medalhas obtidas. Muito pouco, considerando-se o investimento feito na Confederação Brasileira (aCBAt é uma das que mais receberam repasse da Lei Agnelo-Piva em 2013, com R$ 3,5 mi).
Nesta semana, o Brasil terá mais uma chance de quebrar esse tabu, no Mundial de Moscou. A questão agora não é ver o que foi feito no passado, mas sim projetar o futuro. A Seleção conseguirá conquistar pelo menos duas medalhas na Rússia? Meu palpite é não.
Historicamente, o atletismo brasileiro viveu basicamente de talentos isolados. Duas .escolas. fortes que o país teve no passado foram no salto triplo (desde Adhemar Ferreira da Silva até Jadel Gregório) e no revezamento 4x100m masculino. O quarteto da velocidade não se classificou para o evento na Rússia, e não teremos um nome de peso no salto triplo.
Atualmente, o ponto forte do país é o salto com vara, liderado pelo técnico Elson Miranda e que teve grande influência dos ensinamentos do ucraniano Vitaly Petrov. Não é à toa que reside em Fabiana Murer uma das poucas chances do Brasil medalhar no Estádio Olímpico dos Jogos de 1980.
Mas, em geral, tudo isso é muito pouco para um país de nossa magnitude. E, mesmo com o passar do tempo, o panorama não se altera. Mudando o ditado, um é pouco, dois seria bom. Três? Ai já é demais.

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