ESPÍRITO OLÍMPICO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de abril de 2015
RAFAEL VALESI<br>[email protected] 
Uma batalha de cachorro grande começou no mundo olímpico nesta última semana, pegando muita gente de surpresa. Marius Vizer, atual presidente da SportAccord e da Federação Internacional de Judô (IJF), vestiu seu quimono e partiu para cima de Thomas Bach,mandatário do Comitê Olímpico Internacional (COI). É claro que esta briga é uma metáfora. Mas as palavras proferidas por Vizer foram o equivalente a um ippon indefensável.
Antes de dissecar a polêmica, vale explicar o que é a SportAccord. Essa entidade reúne federações internacionais dos esportes que você imaginar. Desde modalidades grandes, como esportes aquáticos (Fina) automobilismo (FIA) e futebol (Fifa), até outras menos expressivas, como o corfebol, dardo e pelota basca.
Isto posto, vamos à polêmica. Em seu discurso de abertura na convenção da entidade na última segundafeira, em Kazan (RUS), Vizer não poupou seu vocabulário para metralhar Bach e o COI. O cartola acusou o Comitê de tentar bloquear iniciativas (como organizar convenções e eventos esportivos), disse que o canal de televisão que o COI lançará em 2016 é caro demais (US$ 450 milhões), entre outras coisas. Isso foi apenas uma ínfima parte do que ele falou ao longo da semana. Obviamente, o episódio gerou reações, como o abandono da Iaaf (atletismo) da convenção, e um abaixo-assinado de outras modalidades, como a Fina.
Ainda não ficou claro quais as intenções de Vizer, que apelou para a "defesa das federações internacionais". em seu argumento, com seu ataque. Em primeiro momento, a impressão que se tem é que trata-se de uma disputa de poder.Ao rebaixar o COI, o presidente quer fortalecer sua soberania na SportAccord.
Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. Mas uma coisa é certa. O movimento olímpico internacional, que vivia uma certa calmaria desde a eleição de Thomas Bach em 2013, vê seu circo pegar fogo.


