A Agenda 2020, um pacote de 40 mudanças que o Comitê Olímpico Internacional (COI) está implementando aos poucos, foi uma das melhores decisões que a entidade tomou nos últimos tempos. Mas a medida tem um pequeno "defeito": chegou tarde demais para a Rio-2016.
Durante as reuniões do Comitê Executivo do COI no Rio na última semana, foi anunciado que os organizadores dos Jogos de Tóquio-2020 vão economizar pelo menos US$ 1 bilhão (quase R$ 3 bilhões pela cotação atual) depois de mudanças nos locais onde a canoagem slalom, basquete e hipismo serão realizados. As duas últimas acontecerão agora em instalações já existentes, o que resultou na economia. Fazer Jogos mais "baratos" é um dos principais pilares da Agenda 2020 do COI.
Tal economia faria muito bem aos cofres do Brasil. A questão é que o próprio COI admite que os Jogos no Rio de Janeiro pouco deverão ser impactados pelas novas medidas.
E como a Rio-2016 poderia mudar com a Agenda 2020?Vamos a alguns exemplos hipotéticos. As instalações que estão sendo construídas e que talvez não precisariam sair do papel são o campo de golfe (que poderia acontecer em algum clube do Rio) e a corredeira da canoagem slalom (não seria nada absurdo se fosse realizada em Foz do Iguaçu). Algumas competições que acontecerão no Parque Olímpico, como a esgrima e o taekwondo, de repente poderiam passar para o Riocentro. Enfim, são apenas hipóteses jogadas ao ar.
De qualquer maneira, a candidatura da Rio-2016 poderia seguramente ter custado alguns milhões a menos se a Agenda 2020 fosse criada anteriormente.
Só resta lamentar.
Sobre o protesto no Rio Como fui testemunha ocular, não poderia de deixar de citar os protestos do grupo Ocupa Golfe na frente do hotel onde o COI se reuniu nesta semana no Rio. Sobre o caso, faço dois elogios gerais, e uma crítica.
Vale elogiar sim este grupo, que tem uma causa nobre, a preservação de áreas verdes do Rio em oposição a obras de instalações olímpicas. Elogio também o fato de não haver violência de ambos os lados, apesar dos nervos à flor da pele. Mas critico o fato do grupo ter desperdiçado a chance de dialogar com o presidente do COI, Thomas Bach, quando este foi em direção a eles. Ao invés de conversar, só ficaram hostilizando-o.

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