São Paulo, 21 (AE) - O basquete feminino do Brasil vai ter a "espionagem" como aliada, pela primeira vez na história do esporte, visando ao pódio na Olimpíada de Sydney, no ano 2000. A geração de Paula e Hortência sempre reclamou da falta de intercâmbio e de ter de viajar para mundiais e olimpíadas sem conhecer nada sobre os adversários. Seguindo o modelo adotado pelo técnico Wanderley Luxemburgo, que foi à Europa para conhecer os times do continente, cujos jogadores vão ser adversários da seleção brasileira no futebol, Antônio Carlos Barbosa, treinador do basquete feminino, vai à Austrália e depois acompanha o Campeonato Europeu, na Polônia.
O torneio, a partir do dia 30, vai classificar quatro seleções da Europa para os Jogos de Sydney, rivais diretos do Brasil, ganhador da medalha de prata olímpica em Atlanta, em 1996. As seleções já classificadas, entre as 12 que disputarão os Jogos Olímpicos, são os Estados Unidos (campeões do último Mundial), Austrália (país-sede), Taiwan e Coréia do Sul (ásia), Cuba, Brasil e Canadá (Américas). O torneio de basquete feminino da Olimpíada ainda terá uma seleção da áfrica e quatro da Europa.
Barbosa embarcou hoje para a Austrália com as jogadoras convocadas para uma série de cinco amistosos contra a seleção daquele país, nas cidades de Darwin (segunda-feira), Adelaide (quarta-feira), Melbourne (quinta-feira), Hobart (dia 29) e Geelong (dia 30). "Esta viagem será também muito importante para sabermos mais sobre a seleção da Austrália, uma equipe forte que tem 8 de suas 12 jogadoras na WNBA", disse o técnico, referindo-se às estrangeiras que atuam na liga feminina de basquete profissional dos Estados Unidos. O Brasil perdeu a medalha de bronze para as australianas no Mundial da Alemanha, no ano passado.
Na volta da Austrália, Barbosa segue para o Campeonato Europeu. "Quero ver, nas finais da Europa, as quatro seleções que vão para Sydney", afirmou, hoje, antes de embarcar.
O técnico afirma que o investimento em viagens para conhecer os adversários justifica-se. Observa que a atual geração do Brasil - mesmo sem Paula e Hortência e ainda desfalcada de Marta
Leila e Cíntia Tuiú e com Janeth e Alessandra juntando-se ao grupo na última hora - mostrou, no Pré-Olímpico de Cuba, ao obter a vaga para Sydney, que tem chance de continuar brigando por medalhas.
Outro pódio - Por isso mesmo, Barbosa considera importante dar uma ajuda extra às meninas, mapeando adversários - quer saber o estilo de jogo que cada seleção adota, quem são as jogadoras, quais os pontos fracos e fortes de cada time. "O Brasil vai espionar os rivais, como fazem as outras seleções, visando a uma medalha", disse o treinador. Contou que o técnico Tom Mayer, da Austrália, também circula para conhecer as rivais. O australiano viu o Campeonato Asiático, estava em Cuba para acompanhar o Pré-Olímpico das Américas e também vai ao Europeu.
Barbosa admite, no entanto, que isso é novidade no Brasil. "Quando a seleção viajou para um torneio importante conhecendo os adversários?", perguntou. "Acho que nunca."
Além de conhecer os inimigos, o técnico continuará fazendo um trabalho para aumentar o número de "jogadoras selecionáveis". Para os amistosos da Austrália, Barbosa chamou Adrianinha, de 20 anos, Liliam (20) e Patrícia (22) para os lugares de Claudinha, Janeth e Alessandra, que seguiram para a WNBA. Claudinha vai fazer testes no estreante time de Detroit; Janeth seguiu para sua terceira temporada no Houston Comets; Alessandra volta a defender o Washington Mystics, mesma equipe em que jogou no ano passado.

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