São Palo, 03 (AE) - A arma secreta do São Paulo para vencer o Corinthians, pela semifinal do Campeonato Brasileiro, veio da Finlândia, na longínqua Escandinávia, no norte da Europa. Não se trata de Jari Litmanen, meia do Barcelona e principal astro do futebol do país. É, na verdade, o programa de computador Sage, importado pelo clube especialmente para analisar o desempenho de cada atleta do time e, de quebra, espionar a equipe adversária.
As informações chegam ao programa por meio de filmagens dos jogos, processo comandado por Fernando Soares, auxiliar-técnico de Paulo César Carpegiani, e pelo professor de Educação Física Wellington Valquer, contratado pelo São Paulo como analista de desempenho. Pelo vídeo, a dupla é capaz de fazer um sofisticado "scout eletrônico" das partidas da equipe.
"Conseguimos detalhar o número de passe certos e errados de cada jogador, sua movimentação pelo gramado, o tipo de deslocamento, sua duração, entre outras análises", afirma Valquer. Os dados, depois de processados, são enviados ao treinador, um fã de videoteipes.
"Dessa forma, ele pode corrigir muitos erros, como a questão do posicionamento em campo", completa Soares. Carpegiani repassa essas informações aos jogadores, geralmente em reuniões antes dos treinamentos. Uma das vantagens do Sage é mostrar o desempenho individual dos atletas. Assim, um zagueiro, por exemplo, cujas funções em um jogo são diferentes das de um atacante, pode perceber com maior facilidade sua melhor maneira de atuar.
O recurso finlândes é parecido com o programa utilizado por Carpegiani na seleção do Paraguai, na Copa do Mundo da França, disputada no ano passado. Este tipo de trabalho começou a ser feito há pouco mais de um mês, na partida contra o Paraná, em Curitiba, pela fase de classificação do campeonato. O São Paulo conseguiu, na ocasião, uma vitória por 2 a 1.
ESPIÃO - Antes, o sistema havia sido testado em um jogo-treino do São Paulo no CT da Barra Funda. Diante do Corinthians, domingo, pela primeira partida da semifinal, o Sage voltou a entrar em ação, desta vez com a finalidade de analisar o desempenho do adversário também. "Recolhemos basicamente informações sobre variações táticas da equipe", revelou Soares.
As filmagens são feitas pela dupla ou por uma equipe contratada pelo clube. Às vezes, a comissão técnica ainda recorre a fitas de emissoras de televisão, que têm diversas câmeras espalhadas pelo estádio.
Além de análises táticas, Valquer e Soares são responsáveis pelo recolhimento de dados sobre o desempenho físico dos jogadores, por meio de um sistema semelhante e usado há mais tempo.
Nesse caso, as informações são repassadas ao preparador físico Carlinhos Neves. O objetivo é montar um banco de dados da equipe. Neves, desta forma, pode preparar, até mesmo, um trabalho específico para cada atleta, de acordo com o potencial e deficiência de cada um.

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