Luiz Claudio Oliveira
Há muito tempo um clássico Atletiba não era tão bom e tão emocionante quanto o de ontem, no Couto Pereira. Infelizmente o espetáculo dos jogadores foi prejudicado pela incompetência dos dirigentes do Coritiba e da Polícia Militar que, mais do que evitar a violência, contribuiram para que ela existisse. Se uma tragédia maior não aconteceu foi por sorte.
Tudo começou por culpa da diretoria do Coritiba que encerrou a torcida atleticana na geral da curva dos fundos, permitindo que os torcedores do Coritiba se posicionassem nos dois andares acima deles. Ali começou uma guerra de pedras que feriu muita gente e deixou os ânimos exaltados. A Polícia Militar não programou soldados suficientes nem planejou alguma estratégia para evitar confronto. Centenas de torcedores do Atlético, com o ingresso na mão, não conseguiram entrar no estádio. A falta de estratégia da PM deixou no local da saída da torcida atleticana caçambas cheias de pedras e paus. O resultado foi carros apedrejados e alguns completamente destruídos. Nota zero para esses dirigentes, sejam do Coritiba ou da PM e a mesma nota para a violenta torcida do Atlético.
Mas vamos ao que aconteceu de ótimo, que foi a partida de futebol. No primeiro tempo, o Atlético teve quatro lances claros de gol contra três do Coritiba. No segundo tempo, além dos três gols, mais três grandes chances para cada lado. Ou seja, além dos três gols, aconteceram pelo menos outros 13 grandes lances que poderiam ter resultado em gol.
Com tantos lances de ataque, quem acabou se sobressaindo foram os jogadores de defesa. Gilberto, do Coritiba, fez duas defesas que garantiram o resultado a favor do Coritiba. Uma no primeiro tempo, numa cabeçada de Kléber a queima roupa e outra no segundo tempo, quando Gustavo cabeceou para baixo e a bola já estava quase entrando quando o goleiro se esticou todo para impedir o gol.
Pelo lado atleticano, Leonardo foi um grande jogador que além de defender, fez o lance que resultou no gol de Kelly para o rubro-negro. Um pouquinho abaixo, mas também ótimos, estavam Darci e João Santos pelo Coritiba e Adriano e Cocito pelo Atlético. Mas um nome foi a temperatura do clássico: Basílio.
Começou no banco, entrou ainda no primeiro tempo para tentar aproveitar os espaços que o meio-de-campo do Atlético deixava. Assim que ele entrou, o Coxa não fez mais nada e o rubro-negro dominou a partida. No segundo tempo, Basílio escapou duas vezes e desperdiçou os ataques deixando a torcida furiosa. O Atlético fez o gol em um lance que ele tentou cavar a falta e perdeu a bola.
Mas num contra-ataque, Basílio fez as duas jogadas que determinaram a virada para o Coritiba. Uma em que ele iniciou o ataque que resultou no escanteio cobrado por Darci e que Leonardo empatou a partida. No segundo gol, Basílio trocou passes com João Santos, saiu na cara do goleiro Flávio e com um toque sutil empurrou a bola por cobertura para a alegria coxa-branca.
Foi um clássico de arrepiar o mais frio torcedor. O resultado deixou o Atlético na oitava posição, ainda com boas chances de classificação e recolocou o Coritiba na briga para chegar ao grupo dos oito.

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