Espera por jogo gera ansiedade
Na Copa do Mundo com maior intervalo médio entre as suas partidas, a Seleção Brasileira aproveita o tempo para treinar, mas tem de evitar o possível estresse provocado pela ansiedade da espera. Depois da estréia da quarta-feira passada, vitória de 2 a 1 sobre a Escócia, o Brasil só volta a jogar na terça-feira, seis dias depois, contra Marrocos. A seguir, aguarda exatamente uma semana para jogar com o seu terceiro adversário, a Noruega.
O administrador da seleção, Carlos Alberto da Luz, dois Mundiais de juniores e duas Copas do Mundo no currículo, diz acreditar que o calendário atual proporciona mais treinos e mais descanso. Em compensação, afirma Da Luz, há prejuízos: Cria-se uma expectativa maior. Prefiro competições com jogos de três em três ou de quatro em quatro dias. O estresse é um fator a ser vencido na Copa do Mundo, afirma o supervisor Américo Faria, responsável pelo planejamento estratégico para o Mundial, em sua terceira Copa.
Para Faria, no entanto, a longa espera ajuda a resolver um problema criado pelo calendário do futebol brasileiro e internacional, que obrigou a Seleção a diminuir em cerca de dez dias o seu período de preparação antes da estréia, em comparação com a Copa de 94. Vamos crescendo, para atingir o que podemos no terceiro jogo. Estamos tendo tempo para o time melhorar o desempenho.
Anteontem, combinando atividade física e treinamento não-estressante, o preparador físico Paulo Paixão promoveu um torneio de quatro times em campos pequenos com golzinhos - como crianças costumam fazer na rua. Assim, a equipe se preparava fisicamente, sem a tensão de treinamentos táticos (específicos para defesa ou ataque) ou coletivos (titulares contra reservas).
A Copa costumava ser chamada de competição de tiro rápido. Com o seu alongamento, os jogadores tentam aproveitar também para se recuperar de cansaço e contusões. Na primeira fase, há 6,5 dias, em média, entre as partidas do Brasil. É quase a semana que separa os jogos dos campeonatos nacionais europeus, competições que duram meses. Pragmático, o técnico Mario Jorge Zagallo comemora o tempo suplementar para acertar o time: O Brasil ganhou, porque não tivemos um período adequado de trabalho antes. Vamos nos condicionando cada vez mais e melhorando na parte tática e técnica.France PresseTensão forteA ansiedade da espera entre um jogo e outro pode prejudicar o rendimento da Seleção BrasileiraAgência Folha





