Especialistas recomendam atenção e cautela aos pais e treinadores
Independente do esporte, treinar uma criança para participar de competições exige certa cautela e cuidados específicos. A regularidade de treinos é essencial para o desenvolvimento do atleta e conquista de resultados, mas a carga horária deve respeitar certos limites.
Na opinião do professor Marival Mazzio, do departamento de esportes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o ideal é que até os 10 anos de idade a criança pratique de duas a três vezes por semana, com treinos de uma a duas horas. ''Sem que haja exaustão, pois isso pode ocasionar lesões e estafa de musculatura. Tudo que é feito com rigor pode ser prejudicial'', afirma Mazzio.
Já na visão da professora de treinamento do esporte da Unopar, Vanda Sanches, para cada faixa etária há um limite que deve ser respeitado, que também pode variar de acordo com as limitações da própria criança. ''Dos 6 aos 8 anos, 2 a 3 vezes na semana, com treinos entre uma hora e uma hora e meia. Já dos 9 aos 12 anos o limite varia de 15 a 18 horas semanais'', declara Vanda.
Ela também explica que o trabalho desenvolvido durante os treinos deve ser diferenciado em cada fase. ''Dos 6 aos 7 anos dá-se a iniciação no esporte, que deve visar mais habilidades básicas, aquisição de coordenação motora, equilíbrio e noção espacial. Já a partir dos 8, ela já consegue adquirir habilidades específicas do esporte. Somente a partir dos 12 é que se trabalha resistência e força'', explica.
Além de limites, os especialistas recomendam que a criança não se dediquem exclusivamente a um esporte. ''É importante que a criança tenha uma iniciação multifacetada em vários esportes'', declara Mazzio.
Assim como os limites físicos, o lado emocional dos pequenos atletas deve ser respeitado. De acordo com o psicólogo Jorge Ribeiro, que atua na área de esporte, tanto pais quanto treinadores devem tomar cuidado com as cobranças. ''O esporte ajuda no desenvolvimento da tolerância à frustração, mas se a cobrança for exacerbada acaba indo de encontro com isso'', explica.
Seja na hora da vitória ou da derrota, a orientação é evitar exageros e manter um certo equilíbrio. ''Se ela ganhou dê os parabéns, comemore e pronto. Se perdeu, acolher e demonstrar uma cobrança positiva do tipo 'vamos trabalhar para melhorar'. É importante que as deficiências nunca sejam apontadas nessa hora e sim durante os treinos'', ressalta Ribeiro.
Acompanhar de perto o desenvolvimento do filho no esporte é outra questão que o psicólogo ressalta como fundamental. ''Assim como a escola, o esporte infantil é um prolongamento da educação em casa. É importante que o pai esteja presente, conheça quem está treinando o seu filho, já que ele vai se espelhar nessa pessoa. E também manter uma boa estrutura familiar para dar apoio à criança''.
Para aquelas crianças que sonham com um futuro profissional inspirado nos grandes ídolos a dica para os pais é deixar o filho sonhar. ''A criança tem todo o direito de fantasiar. O pai deve até participar dessa fantasia, mas cabe a ele se manter na realidade''. (J.F.)





