Por Rodrigo Mattos (Especial para AE)
São Paulo, 01 (AE) - O lateral-esquerdo Felipe ameaçou parar de jogar por causa da inatividade provocada pela disputa entre Roma e Vasco em torno de seu passe. Pouco antes, o meia Leonardo abandonou a seleção brasileira surpreendendo a todos. E
no início de agosto, Edmundo declarou que encerrará a carreira ao final de seu contrato com o Vasco, quando terá apenas 32 anos. "No passado, o jogador só deixava de atuar por causa da falta de condição física, hoje; ele procura reformular a sua vida pessoal", explicou a psicóloga da seleção, Suzy Fleury.
Ela não vê os três casos como indicadores de uma tendência. Para a psicóloga, cada um teve uma razão diferente para ter se desiludido com o futebol. Como acompanhou de perto o pedido de dispensa de Leonardo, Suzy disse que o jogador preferiu dedicar-se a programas sociais. "Ele desistiu da seleção para seguir outro caminho", contou.
O diretor de Esportes da Parmalat, e também psicólogo Paulo Angioni, admitiu que a crise social brasileira é um aspecto pouco trabalhado pelos profissionais que lidam com o lado emocional do atleta. "Acho que tinha de haver um maior destaque ao tema", opinou. "Os jogadores ganham salários altos em um País de desempregados, o que causa revolta e cobranças da torcida."
Angioni acredita que as exigência dos torcedores e a superexposição na mídia são os principais problemas enfrentados pelos atletas. Quando anunciou que pararia de jogar ao fim do seu contrato, Edmundo disse que estava cansado da pressão que sofre diariamente. "Cada atleta tem uma característica diferente e nem todos suportam essa pressão", afirmou o psicólogo. Suzy concordou com Angioni e defendeu um maior apoio ao atleta.
"A psicologia no esporte ainda está no início e, por isso, o lado emocional do jogador não é tão trabalhado quanto o físico", admitiu ela. Para Angioni, no entanto, o atleta deve procurar ajuda fora do clube. Enfatizou que, com o suporte recebido atualmente nas categorias de base, o jogador chega ao profissional mais consciente do que antes. "Se o atleta tiver algum problema, não precisa do clube para encontrar apoio", garantiu.
Essa conscientização, segundo Suzy, também se estende aos seus direitos como jogador profissional. "Legalmente, eles se tornam donos do seu próprio destino", afirmou. Mas, como isso ainda aconteceu, Felipe está vivendo uma situação delicada, sem ter controle sobre o seu futuro. Quando a Lei Pelé entrar em vigor, no ano 2000, o jogador vai ser dono de seu passe, o que deve evitar que episódios como esse se repitam. No entanto, Angoni ressaltou que o futebol vai continuar a ser um campo de contradições para os jogadores, porque envolve muitas expectativas não realizadas. "O futebol é um conjunto de sonhos, que nem sempre podem ser concretizados diante da realidade, o que causa grandes problemas."

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