Para o médico do Comitê Olímpico Internacional, Eduardo de Rose, os dois casos de doping por nandrolona de atletas do pólo aquático dificilmente ocorreram por acaso. Eric Borges e Alexandre Lopes podem ter sido orientados pela mesma pessoa. Ele admite, porém, que o Brasil não tem leis tão rígidas quanto países como o Canadá, que pune médicos, preparadores físicos e treinadores com o mesmo rigor de atletas.
No Canadá, existe uma lei antidoping e os acusados são julgados por tribunais que têm poder de polícia. ‘‘Se um médico omite a verdade perante um juiz, comete crime’’, diz De Rose. O médico de Ben Johnson foi obrigado a admitir que ministrou esteróides anabolizantes ao velocista na Olimpíada de Seul. Ambos foram banidos do esporte.
No Brasil, o julgamento se dá apenas na esfera esportiva. Os tribunais recolhem depoimentos, mas não têm o mesmo poder de investigação. Assim, no caso do nadador Hugo Duppré, a comissão de controle antidoping da CBDA teve de acreditar na palavra dos dois médicos, Miguel Naveira e Ivan Correa de Souza, que negaram ter-lhe receitado nandrolona.
Duppré foi suspenso por quatro anos apesar de jurar inocência e culpar os médicos. De Rose, porém, ouviu o depoimento do nadador na comissão e disse que ele mudou a versão.
O presidente da CBDA, Coaracy Nunes, acha que Duppré, Eric e Alexandre Lopes tomaram a droga sem conhecimento. De Rose, porém, duvida.
Para De Rose, a tendência da opinião pública é defender o atleta após um primeiro exame dar positivo. Depois de a contraprova confirmar o doping, o atleta continua negando a ingestão de substâncias proibidas. ‘‘Mas aí já existe uma aceitação do fato’’, afirmou De Rose. ‘‘Demora um tempo, e toda a verdade vem à tona.’’

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