Os trabalhadores da construção civil, engenheiros e arquitetos no Brasil se mobilizaram para construir estádios monumentais nas sedes que receberão a Copa do Mundo, com o objetivo de dar um bom espetáculo em cenários esportivos que respeitam o meio ambiente, dão sustentabilidade e que serão devidamente utilizados depois do Mundial.
De modo geral, o público pensa apenas em ver o Brasil fazer bonito em campo e levantar a tão sonhada taça ao final da Copa no Maracanã. Mas, na opinião de um dos principais especialistas em manutenção e reforma de estádios no Brasil, o engenheiro e professor Enio Pazini Figueiredo, o ideal é que estas obras sejam melhor aproveitadas após a Copa, sendo utilizadas também para receber eventos diversos, como shows, e rendendo melhor aos seus proprietários e clubes que os administram.
No último sábado, o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL) recebeu Figueiredo para uma palestra, quando ele deu detalhes de sua participação na avaliação técnica realizada nos estádios do Maracanã, novo Beira-Rio, e na Arena Corinthians, além da demolição realizada no autódromo de Jacarepaguá e da ampliação do metrô para receber a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro.
"No Rio, o Maracanã disputa com o Cristo Redentor como o ponto mais visitado por turistas do mundo inteiro. Isto também pode acontecer com os outros estádios da Copa em suas cidades. O Brasil ficou estagnado por décadas em relação a grandes obras e com os novos estádios, teremos também uma nova geração de profissionais especializados em construções de grande porte", avaliou o especialista, que atualmente ministra aulas na Universidade Federal de Goiás.
Depois de participar da avaliação técnica na reforma do ginásio Maracanãzinho (que também receberá jogos da Olimpíada do Rio), Figueiredo foi chamado em 2010 pelo consórcio que construiu o Maracanã, para avaliar o que seria preciso para a reforma do estádio da final da Copa do Mundo.
Sua avaliação determinou que o estádio – tombado pelo patrimônio histórico – teria que sofrer grandes mudanças em sua estrutura e principalmente na cobertura. "Entreguei um relatório dizendo que não se tratava de reparos, que a estrutura estava muito mais danificada que se supunha, e me surpreendi quando fui chamado para discutir o tema, pois acreditei que o consórcio não iria obedecer ao relatório", conta o engenheiro.
Como a estrutura de cobertura teve que ser mudada e o projeto refeito em grande parte, a entrega do novo Maracanã atrasou – do final de 2012 para maio de 2013. Inicialmente, o Maracanã custaria R$ 600 milhões, mas acabou custando praticamente R$ 1 bilhão.

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