A festa e a vibração que se viu ontem, quando a baixinha Renata Venâncio, 18 anos, conseguiu fazer uma cesta em um jogo de basquete para alunos especiais, deveria ter sido vista pelos jogadores da seleção brasileira de futebol que disputaram a última Copa do Mundo. Se os comandados do técnico Carlos Alberto Parreira tivessem sentido apenas um pouco da garra e da persistência que demonstraram em quadra aquelas meninas de Londrina e Cambé, eles não teriam feito o papelão que fizeram no Mundial da Alemanha.
Ontem o que se viu durante o Festival do Projeto Esporte Especial de Londrina, realizado na Oficina do Ilece, no Conjunto Cafezal (Zona Sul), foi exatamente o inverso. Pais, mães, tios e professores das ''crianças'' torcendo como nunca nas arquibancadas, e na quadra os meninos e meninas se desdobrando para tentar mostrar ao público o melhor de si.
O exemplo de Renata Venâncio, a Renatinha, foi emblemático. Com cerca de 1m40 de altura e aluna do Ilece de Londrina (é portadora de Síndrome de Down), ela lutava como podia para tentar alcançar a bola, já que as mais altas e mais fortes dominavam as ações da partida.
De repente, sobrou uma bola pra ela e Renatinha mandou pra dentro, de ''chuá'', como se diz na gíria do basquete. O pequeno ginásio quase foi abaixo, tanta foi a comemoração do locutor-professor e do restante da criançada presente ao evento (as psicólogas e os professores chamam a todos de ''crianças'', em função das deficiências de cada um, mesmo com alguns tendo mais de 40 anos). No final, o time de Renatinha venceu o rápido amistoso por 6 a 2.
Casos como o dela foram vários ontem no festival, realizado pelo Ilece e pela Apae de Londrina em parceria com a Prefeitura. Também foram convidados alunos do Centro Ocupacional de Londrina (COL) e das Apaes de Cambé, Sertanópolis e Rolândia. Entre eles estavam as irmãs gêmeas Sirlei e Sirlene dos Santos Ramos, 19 anos, de Cambé, que esperavam apreensivas no banco pela hora em que seriam chamadas pelo treinador para ajudar a equipe de basquete de Cambé, que estava em quadra. ''A gente quer jogar e vamos ganhar'', afirmaram.
''Esse é o dia mais esperado do ano pelas crianças. Elas se soltam, melhoram a auto-estima e têm uma oportunidade a mais de se relacionar e de mostrar o que aprenderam nos treinamentos'', comentou o coordenador do programa, Edmundo Novaes. O evento teve também apresentações no futsal, ginástica rítmica e olímpica, capoeira, atletismo e tênis de mesa.

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