Curitiba - Da euforia ao desespero. Motivados pelo fato de a cidade ter sido escolhida como base da seleção na Copa, a comunidade espanhola de Curitiba reuniu-se ontem, no Centro Espanhol do Paraná para assistir à estreia do país na Copa de 2014. Atuais campeões do mundo, líderes do ranking da Fifa, campeões da última edição da Eurocopa, os espanhóis eram pura confiança antes do início da partida.
"Vamos para o bi. A seleção é forte, preparou-se bem, está aqui em Curitiba longe da euforia de cidades como o Rio de Janeiro e Salvador, focada na competição. Vamos ganhar do Brasil na final", disse Loli Tardon, que mora em Curitiba há dois anos.
A confiança só aumentou com o gol de pênalti, duvidoso, sobre o brasileiro naturalizado Diego Costa no primeiro tempo. "É bom ter um brasileiro na equipe, para cavar um pênalti, igual o Fred fez ontem", brincou o empresário Pedro Martinez.
Nem o gol de empate, ainda no primeiro tempo, abalou a confiança dos espanhóis de Curitiba. "Vamos ganhar, vamos ser primeiros do grupo, vamos fazer a final com o Brasil", disse Maribel Mariño Gonzales, coordenadora de um grupo folclórico que fez apresentação no intervalo da partida.
Mas veio o segundo tempo e o som das castanholas foi ficando mais fraco a cada gol dos holandeses. A partir do terceiro gol, o silêncio tomou conta e a preocupação tomava os rostos. Preocupação não só pela goleada sofrida, pela ameaça à classificação, como, também pelo crescimento da probabilidade de, se passar de fase, a Espanha cruzar com o Brasil já nas oitavas de final. "Faltou a garra que é tão tradicional dos espanhóis. Fomos dominados no segundo tempo. Mas, agora, é ir para cima do Chile e, depois, vamos empurrá-los contra a Austrália aqui em Curitiba. Nas oitavas, que venha o Brasil. Fazer o quê?", disse o administrado Diogo Duran Gonzalez, filho de espanhóis.
"Nosso técnico sempre diz que é muito melhor perder a primeira partida que perder a última. Em 2010, fomos campeões perdendo a primeira, para a Suíça. Que a história se repita", disse Antonio Castrillo. "Se o confronto das oitavas for contra o Brasil, ficarei com o coração dividido, pois sou casado há 16 anos com uma brasileira. Mas torceremos para que quem vencer esse jogo seja o campeão", acrescentou.

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