Curitiba - A presença da seleção da Espanha, atual campeã do mundo, na cidade mobilizou os curitibanos e, principalmente, a comunidade espanhola, que aproveita a presença da equipe e a vinda de milhares de conterrâneos para a terceira partida da seleção, dia 23, para uma série de eventos para divulgar a cultura espanhola e promover o país na capital.
Mas, enquanto os jogadores alemães confraternizaram com índios e com torcedores da Bahia, holandeses jogaram frescobol na praia de Ipanema e italianos fizeram turismo no Rio de Janeiro, interagindo com torcedores, a opção da Espanha pelo isolamento no CT do Caju e as regras de segurança impostas pela Fifa frustraram um pouco os torcedores.
O único contato dos campeões do mundo com os curitibanos foi em um treino aberto, realizado na última terça-feira no CT, em que, além de convidados, outras mil pessoas que se amontoavam no portão do Caju tiveram acesso. E tudo isso seguindo os rigorosos padrões de segurança da Fifa. Nem o cônsul-honorário da Espanha em Curitiba, Saturnino Hernando Gordo, conseguiu driblar a Fifa, e não escondeu a irritação. "Fui ao aeroporto receber a delegação e a Fifa não me deixou ter contato com eles. Fui ao treino e também não me deixaram", reclamou. "Pensamos até em montar alguma programação com a participação dos jogadores e comissão técnica, mas esbarramos na Fifa, que controla tudo, tudo depende da autorização deles e eles não autorizaram", disse.
Segundo o cônsul, a mesma frustração é vivida pelos 4 mil espanhóis que moram na cidade, para a partida do dia 23, contra a Austrália, a expectativa é de que outros 8 mil espanhóis desembarquem na cidade.
Outros espanhóis de Curitiba também lamentaram a falta de contato com seus ídolos. No entanto, a maioria compreendeu a opção pelo isolamento. "Claro que queríamos mais contato, poderia ter alguns momentos junto com a comunidade, mas entendo que o isolamento pode ser importante para manter o foco", disse o empresário Pedro Martinez, que disse que a presença da seleção na cidade é importante até para seus negócios. "Muitos espanhóis estão ouvindo falar de Curitiba pela primeira vez. Essa divulgação é importante para nossa empresa", disse.
"Eles não estão aqui como turistas, estão focados no trabalho, temos que entender. Mas ainda temos esperança que conseguiremos dançar para eles. Já fizemos o pedido, ainda não recebemos resposta", disse a coordenadora de um grupo folclórico, Maribel Mariño Gonzales.
O embaixador da Espanha no Brasil, Manuel de la Câmara Hermoso, que esteve em Curitiba na terça-feira para a abertura de um desses eventos culturais, disse que a opção pelo isolamento é uma das estratégias adotadas pelo técnico espanhol, Vicente del Bosque, e que já foi utilizada pela seleção em 2010, na África do Sul, quando a Espanha conquistou o título. "E eu conversei com ele, que disse-me estar extremamente satisfeito com a escolha de Curitiba, que tem todas as condições que ele esperava para dar tranquilidade, conforto e estrutura de trabalho para a competição".

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