Kamen - A França é um trauma nas estatísticas da seleção espanhola. Em cinco partidas oficiais contra os vizinhos, a Fúria nunca venceu. Foram quatro derrotas e um empate. Curiosamente, o mais traumático dos tropeços completa 22 anos amanhã, justamente no dia do jogo entre as duas seleções pelas oitavas-de-final da Copa da Alemanha.
  Para escrever uma nova história daqui por diante, o invicto Luís Aragonés, que jamais perdeu defendendo as cores de seu país, seja como jogador ou técnico, não vai abrir mão de todo o seu poder de fogo.
  Aragonés testou ontem seu novo esquema de jogo, com todos os três atacantes do elenco entre os titulares. O capitão Raúl está de volta, ao lado de Villa e Fernando Torres. No meio-campo, a aposta será em Cesc, de 19 anos do Arsenal, mesmo clube do francês Thierry Henry. Com isso, formam a linha de apoiadores três homens de características ofensivas: Xabi Alonso, Cesc e Xavi. Pior para Luís García e para o brasileiro Marcos Senna, que foram barrados.
  ‘‘O treinador tomou sua decisão e tenho certeza de que a Espanha fará uma grande partida com essa nova formação’’, afirmou Luís García.
  Os espanhóis nunca passaram de coadjuvantes em Copas do Mundo. A melhor participação aconteceu no Brasil, em 1950, quando ficou com o quarto lugar. Em seu décimo-segundo mundial, a Espanha só teve a França como adversária em competições européias. E nada como um triunfo em Hannover para espantar velhos fantasmas.
  Os jogadores podem até não pensar no passado, mas a torcida espanhola ainda não digeriu os 2 a 0 no dia 27 de junho de 1984, no Parc des Princes, pela final da Eurocopa. Uma cobrança de falta de Michel Platini que passou por baixo dos braços de Arconada abriu caminho para a vitória por 2 a 0 que garantiu o título para os franceses. Bellone fez o outro gol da partida.
  De volta à equipe e com o moral elevado após a boa atuação contra a Tunísia, o apoiador Raúl também está com os franceses atravessados na garganta há anos. Em 2000, Zidane & cia. eliminaram a Espanha com uma vitória por 2 a 1, na prorrogação das quartas-de-final. O atacante espanhol perdeu um pênalti na ocasião e voltou para casa como vilão.

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