L'Alcúdia - Troca de passes envolvente e paciente, marcação forte, volantes técnicos e habilidosos e um padrão de jogo que se vê em todas as categorias do futebol. Foi assim que o futebol espanhol cresceu, ganhou respeito e títulos com a seleção.
Hoje, a Fúria, é quem encanta o mundo da bola, com sua base fincada no Barcelona, tido como melhor time do mundo. A Espanha ganhou a última Eurocopa e Copa do Mundo. Mas o domínio no Velho Continente é ainda maior. Além de três conquistas do Barça nas seis últimas edições da Liga dos Campeões da Europa, a Fúria é campeã europeia sub-19 - tem cinco títulos em dez edições - e sub-21. No Mundial sub-20, foi eliminada pelo Brasil, nas quartas de final, nos pênaltis. No feminino, a Espanha também começa a mostrar qualidades. Já é campeã europeia sub-17. Em 2004, faturou o troféu no sub-19.
Para uma evolução tão grande no futebol, o segredo está no investimento na formação de jogadores. Desde os clubes pequenos até as potências Barcelona e Real Madrid investem pesado nas ''canteras'', como são conhecidos os Centro de Treinamento. A FOLHA pôde conhecer a Ciudad Real Madrid, o CT do clube madrilenho, que ainda não está concluído totalmente. O setor reservado às categorias de base é de espantar. Os vestiários, desde o sub-9, são melhores do que os da maioria dos estádios brasileiros. Há até simulador de altitude no centro de tecnologia esportiva.
Além disso, há muitas competições de alto nível nessas categorias menores por toda a Europa para disputarem, diferentemente dos torneios caça-níqueis que existem no Brasil, como se tornou, inclusive, a tida como maior competição sub-19 do país, a Taça São Paulo, hoje com 92 clubes, muitos de aluguel.
O torneio Cotif, por exemplo, que o Cincão Esporte Clube participou, além das disputas na categoria Sub-20, haviam outros torneios de categorias menores sendo disputados simultaneamente no mesmo complexo esportivo. Eram cerca de 50 equipes em campo.
O sistema de formação é semelhante em todas as equipes. Trabalha-se o jogador desde os nove anos e vai mantendo as equipes a cada ano, agregando uma ou outra peça, até chegar no profissional. Todas as equipes de base seguem a filosofia de jogo e o padrão da principal. O Barcelona é um clássico exemplo. Xavi, Iniesta, Messi e cia jogam juntos desde a base.
''Nossa filosofia é criar jovens jogadores e que, através do futebol, eles conheçam o jogo que queremos, o sentido que queremos, a identidade do Villareal, o estilo de jogo e os valores que queremos'', afirmou o técnico do time sub-20 do Villarreal, Jorge Peris. Cinco de seus comandados desfalcaram a equipe em L'Alcúdia por estarem servindo a seleção sub-20 na Colômbia.
Ele reforça a necessidade de mostrar desde pequeno ao futuro jogador, que na Espanha, a valorização da posse de bola é o principal do jogo. ''A equipe principal tem uma forma da jogar, sempre com a posse de bola e isso tem dado frutos. Ensinamos desde pequeno que jogar futebol não é só defender, é ter a bola para você fazer o gol e não sofrer. Queremos isso para todas as equipes'', reforçou. ''É uma filosofia e modelo de jogo. Há muitas trocas de jogadores, com atletas sempre subindo para a primeira equipe, por isso, a filosofia é a mesma e o estilo também, para estarem sempre ambientados'', disse Sérgio Ventosa, técnico do sub-20 do Valência, seguindo a linha de raciocínio do colega
Ele vai além. Diz que a crise financeira que atinge a Europa é um outro motivo para se investir no trabalho da base. ''O futebol espanhol passa uma por crise econômica e o trabalho na base é fundamental para trazer dinheiro aos clubes e para repor as peças sem custo alto''.
No mês passado, o Internacional enfrentou um misto do Barcelona e o argentino D'Alessandro, com passagem pelo futebol espanhol, fez análise do estilo espanhol após o jogo. ''Eles têm uma ideia que vem das categorias de base. A ideia de jogo não muda. Trocam peças e o padrão segue igual, fazendo o mesmo jogo. Temos que tirar o chapéu'', explicou à época.

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