Madri - O esporte espanhol vive um momento de glória. Com a conquista do título da Copa do Mundo da África do Sul, domingo, o sucesso agora está completo. Desde a realização dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, o investimento feito na formação dos atletas surtiu um efeito extraordinário, colocando a Espanha no topo dos mais variados esportes como futebol, ciclismo, basquete, tênis, automobilismo e motociclismo.
O inédito título mundial do futebol era o que faltava para o torcedor espanhol. Quando organizou a Olimpíada de 1992, a Espanha fez investimentos e planos para tentar virar uma potência esportiva. E, ao longo dos últimos anos, o resultado positivo dessa política foi aumentando consistentemente, com conquistas cada vez mais frequentes e o surgimento de astros de fama internacional.
Exemplos não faltam nessa trajetória recente de sucesso do esporte espanhol. A própria seleção de futebol nunca tinha conquistado um título de expressão, apesar de o país ter dois dos clubes mais poderosos do mundo - Real Madrid e Barcelona. Mas a Espanha passou a dominar o cenário desde 2008, quando foi campeã europeia, e chega agora também ao primeiro lugar na Copa.
O tênis é outro bom exemplo do sucesso da política espanhola de investimento no esporte. Atualmente, 12 tenistas do país estão entre os 100 melhores do mundo, uma porcentagem que tem se mantido constante nos últimos anos. Além disso, a Espanha revelou Rafael Nadal, um dos maiores nomes da história: aos 24 anos, lidera o ranking e já tem 41 títulos, sendo oito de torneios do Grand Slam.
O automobilismo também tem seu fenômeno espanhol. Fernando Alonso já conquistou dois títulos da Fórmula 1, em 2005 e 2006 (ambos pela Renault), e hoje é piloto da Ferrari. Já no motociclismo, um esporte em que a Espanha sempre teve tradição - Ángel Neto fez história nas décadas de 70 e 80 -, dois pilotos do país lideram o campeonato da principal categoria (MotoGP): Jorge Lorenzo e Dani Pedrosa.
No basquete, a Espanha sempre esteve entre os melhores na Europa, mas atingiu um outro patamar nos últimos anos. Com uma geração liderada pelo pivô Pau Gasol, que é um dos astros da NBA, a seleção espanhola foi campeã mundial em 2006 e levou a medalha de prata olímpica em 2008. E no ciclismo, Alberto Contador seguiu os passos do lendário Miguel Induraín para vencer a Volta da França em 2007 e 2009.
''Esse é o melhor momento do esporte espanhol. Temos uma geração inteira de campeões'', afirmou Nadal, que esteve na África do Sul para acompanhar a final da Copa. ''Esse título vale mais do que todos os meus juntos'', completou o tenista, em entrevista exclusiva à Agência Estado. ''A euforia de um esporte contagia os outros. Mas nada disso existiria sem o apoio do governo e sem que houvesse o esporte nas escolas'', disse Pau Gasol, outro que viajou para Johannesburgo para torcer pela Espanha.
Explicações
Todo esse sucesso é resultado de uma sólida política esportiva, mas também tem raízes no crescimento econômico que viveu a Espanha nos últimos 20 anos. Desde que passou a fazer parte da União Europeia, em 1985, o país recebeu um total de US$ 80 bilhões de investimentos de fundos europeus para construir escolas, hospitais e estradas, melhorando as condições de vida da população.
Assim, a Espanha deixou de ser o país rural e pobre que era na década de 70 para se tornar uma das maiores forças da Europa. E isso teve impacto direto no esporte, como mostra uma pesquisa do Hospital Val D'Hebron, de Barcelona, que aponta que a população espanhola cresceu em média 3,5 centímetros nos últimos 20 anos. Sinal de que surgiram atletas mais fortes e preparados para atingir o sucesso que está sendo conseguido agora.

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