Leipzig - Se o Brasil sofre com o excesso de favoritismo quase sempre que chega a um Mundial, a seleção espanhola normalmente vive um sentimento oposto: o de total desconfiança de sua torcida e jornalistas. Isso porque a Fúria é recorrente em decepcionar sempre que chega a uma Copa com um time aclamado. No entanto, a brilhante atuação na goleada de 4 a 0 sobre a Ucrânia, ontem, na estréia das duas seleções do grupo H a melhor de uma seleção na primeira rodada encheu de esperança sua torcida, presente em grande número ao Zentalstadion, em Leipzig.
Com um futebol envolvente, de muita movimentação, apoio constante dos laterais e uma forte marcação na saída de bola do time ucraniano, a seleção do treinador Luis Aragonés que apostou na renovação, não convocando jogadores como o atacante Morientes e deixando no banco o ídolo do Real Madrid, Raúl não deixou o adversário ver a cor da bola
Chamado de ''Sábio'' pela imprensa espanhola, ele chegou a ter seu apelido contestado quando resolveu barrar Raúl para a estréia. Mas foram poucos dias de desconfiança. O novo titular, o jovem atacante David Villa formou uma dupla insinuante com Fernando Torres e marcou dois gols, um de falta e outro de pênalti.
Os espanhóis começaram pressionando com boas subidas dos laterais Sergio Ramos e Pernía. Pelo meio, o brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna, e Xavi, além de comandarem a marcação no campo do adversário, municiavam Villa e Torres, que enlouqueceram os defensores ucranianos com muita movimentação. A Espanha já tinha perdido algumas chances quando Marcos Senna chutou, aos 12 minutos, e Shovkovskiy espalmou ara escanteio. Na cobrança, Xabi Alonso desviou de cabeça para marcar. Cinco minutos depois, a Fúria aumentou com Villa, em cobrança de falta que desviou na barreira. A Ucrânia deu apenas um chute a gol no primeiro tempo, de Gusin, mesmo assim fraco e na mão do goleiro Casillas.
O técnico da Ucrânia, Oleg Blokhin, voltou para o segundo tempo com Vorobey no lugar de Gusin e Rebrov, no de Rotan. Mas a justa expulsão do zagueiro Vaschuk, que já tinha o amarelo e fez um pênalti em Fernando Torres, acabou com qualquer chance de reação. Na cobrança, Villa fez 3 a 0.
A Espanha tentou o gol o jogo inteiro e poderia ter saído com um placar ainda maior. Para coroar a grande exibição um gol com a marca de um time que teve no conjunto a sua grande força: Fernando Torres marcou após uma troca de passes rápida entre ele, Puyol e Raúl, que havia entrado no lugar de Villa.


ESPANHA 4

Casillas; Sérgio Ramos, Pablo IbaÀez, Puyol e Pernía; Xavi, Xabi Alonso (Albelda) e Marcos Senna; Luis García (Fábregas), Fernando Torres e David Villa (Raúl). Técnico: Luis Aragonés

UCRÂNIA 0

Shovkovskiy; Yezerskiy, Rusol, Vashchuk e Nesmachniy; Gusev (Vorobey), Tymoshchuk, Gusin (Shelayev) e Rotan (Rebrov); Voronin e Shevchenko. Técnico: Oleg Blokhin

Árbitro: Massimo Busacca (SUI)
Estádio: Zentralstadion, em Leipzig
Expulsão: Vashchuk
Gols: Xabi Alonso aos 13 e Villa aos 17 minutos do 1º tempo; Villa aos 3 e Fernando Torres aos 36 minutos do 2º tempo

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