Espanha, agora, fala em humildade e garra
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terça-feira, 23 de junho de 1998
Agência Folha 
A Espanha tenta hoje manter suas chances de obter uma vaga nas oitavas-de-final da Copa do Mundo e também o favoritismo que tinha antes do início da competição. Por isso, seus jogadores adotaram um discurso humilde e pretendem valorizar a garra para enfrentar a Bulgária, às 16 horas, em Lens, pelo Grupo D. Após a decepção nas duas primeiras partidas - derrota por 3 a 2 para a Nigéria e empate sem gols com o Paraguai -, o treinador Javier Clemente pode perder também o cargo.
Clemente supervalorizou a sua equipe, chegando a dizer que a Espanha era a principal candidata à conquista da Copa. Agora, o treinador adotou a lei do silêncio, evitando dar declarações. A nova postura foi estimulada principalmente pelas declarações do primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, que, após o jogo contra o Paraguai, afirmou que a Espanha havia chegado ao Mundial com complexo de superioridade e que os nigerianos e os paraguaios a haviam colocado em seu devido lugar.
Empatada em último lugar do grupo com o adversário de hoje (um ponto cada), a Espanha precisa vencer e torcer para que o Paraguai não vença a Nigéria.
Entre as oito seleções cabeças-de-chave do Mundial (Brasil, Itália, França, Holanda, Alemanha, Romênia e Argentina, além de si própria), a Espanha é que tem a classificação mais ameaçada.
O zagueiro Alkorta defende a idéia de que, numa situação dessas, os esquemas táticos precisam ser ignorados. As táticas não servem para nada, são os jogadores que levam as partidas adiante. O coração é a melhor tática. Alguns, como o goleiro Zubizarreta, tentam difundir o clima de autoconfiança no grupo. Aconteça o que acontecer, digam o que digam, há que se manter a fé e a esperança.
O meia Amor é mais precavido: Mais de uma vez durante o dia ou a noite devemos afrontar a imagem de uma possível derrota. Ela vem, mas devemos afastá-la.
A Bulgária está na mesma situação. Também com um ponto, torce pela Nigéria e terá que vencer a Espanha. O atacante Stoichkov espera acabar com o jejum de gols contra os espanhóis. No Mundial de 94, nos EUA, o jogador foi artilheiro da competição, com seis gols. Nosso problema no Mundial tem sido não conseguir marcar gols e espero que isso se resolva contra os espanhóis.
FICHA TÉCNICA
Espanha
Zubizarreta; Aguilera, Alkorta, Nadal e Sergi; Luis Enrique, Amor, Hierro e Raúl; Alfonso e Morientes. Técnico: Javier Clemente


