Esgrima procura espaço entre outros esportes
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domingo, 15 de novembro de 2009
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
Além de reunir jovens atletas entre 15 e 17 anos de todo o Brasil, as Olimpíadas Escolares estão funcionando como espaço de difusão de esportes pouco populares. Agora é a vez da esgrima, que após algumas apresentações no intervalo dos jogos, ganhou um curso que está sendo ministrado para estudantes de educação física e ciência do esporte da região.
Segundo o Mestre Darmas César Leiria, que também é oficial da marinha aposentado, enquanto esporte a esgrima está dividida em três modalidades: espada, florete e sabre. Ele acredita que a primeira é a que mais está adaptada ao jeito brasileiro, pois a principal característica é o improviso durante os confrontos.
Como toda a superfície do corpo é válida, onde o adversário tocar é ponto. Isso exige improviso e sagacidade, duas característicos típicas do jeitinho brasileiro, acredita. Já o florete e o sabre possuem regras diferentes, valendo no primeiro caso apenas toques na região do tronco. No segundo, marca pontos quem tocar da linha da cintura para cima, incluindo braços e cabeça.
Com pouca tradição no Brasil, onde existem apenas 15 pessoas com o título de Mestre Darmas, que é a chancela máxima do oficial de esgrima oferecida apenas pela Escola de Educação Física do Exército, o berço deste esporte é na Espanha e França. Segundo Leiria, após aprender as técnicas com os espanhóis, os franceses formaram academias de mestres e colocaram no papel todo o processo pedagógico, formulando regras.
Nisso a França se consolidou como maior potência junto de Rússia, Alemanha e Itália, informa, citando que há 15 anos, países asiáticos, como a China, desenvolveram bons atletas. Nas Américas, ele explica que Cuba é o principal pólo, seguido pelo Canadá. Hoje, muitos mestres do Leste Europeu migraram para os Estados Unidos, que está se tornando uma potência neste esporte pelo mundo, completa.
Segundo Rodrigo Fontes, do departamento técnico da Confederação Brasileira de Esgrima (CBE), a entidade desenvolve trabalhos de fomento da modalidade, oferecendo cursos de monitor para professores de educação física e esporte com intuito estimular a formação de atletas entre jovens. O esporte só cresce apenas no contexto do alto rendimento depois que atinge um patamar no contexto escolar, acredita.
Quanto aos custos de equipamentos para praticar a esgrima, os valores não fogem da média de outros esportes. O aparato oficial está dividido em máscara, que custa até R$ 500, espada que está na casa dos R$ 300 e a roupa composta por jaqueta e calça, que saem por R$ 500. Porém, Fontes conta que para começar não é necessário ter o uniforme oficial, sendo possível adaptar espadas, máscaras e roupas. Tem que acabar com a mística de que a esgrima é para a classe alta. Na prática, não é, pontua.


