Mônaco - Se a melhor defesa é o ataque, a Ferrari não perdeu tempo. Após perder a primeira queda de braço com a FIA ontem, a equipe, que já disse que deixará a F-1 se o regulamento de 2010 for mantido como está, imediatamente contra-atacou. Em seu site oficial, soltou comunicado no qual diz que a categoria terá de mudar de nome. Devido à inexpressividade dos times que pretendem se inscrever no Mundial do ano que vem, deveria se chamar F-GP3.
"Os homens e mulheres que trabalham na Ferrari quase não acreditaram quando descobriram os nomes dos times que querem correr na F-1 no próximo ano", afirma o texto intitulado "F-1 ou F-GP3". "Wirth Research, Lola, USF1, Epsilon Euskadi, RML, Formtech, Campos, iSport: estes são os times que competirão na F-1 de duas categorias que (Max) Mosley (presidente da FIA) quer", ironiza a nota.
Insatisfeita com o regulamento e com a forma como ele foi elaborado - sem a anuência dos times -, a Ferrari havia acionado a Justiça comum para fazer valer seu direito de veto sobre mudanças nas regras técnicas da categoria, algo que lhe foi dado há mais de dez anos. Queria ainda que o assunto fosse resolvido com urgência, já que o prazo final para as inscrições termina no dia 29.
Apesar das declarações irônicas em seu site, no fim da tarde em Mônaco a Ferrari emitiu novo comunicado, desta vez politicamente correto, no qual diz que ainda não definiu se recorrerá da decisão da Justiça.
"Seguiremos trabalhando com a Fota (associação dos times), a FIA e o detentor dos direitos comerciais para garantir que a F-1 seja uma categoria com as mesmas regras para todos e que se beneficie da estabilidade nas regras, ao mesmo tempo que trabalhamos para reduzir gradualmente os custos", diz o texto.
No paddock, às vésperas dos primeiros treinos livres para a sexta etapa do Mundial, os pilotos pouco falaram de carro. "Fico um pouco chateado com essa disputa de poder, e é muito mais legal pensar em esporte do que em política", afirmou o brasileiro e ferrarista Felipe Massa. "É triste terem deixado as coisas chegarem a este ponto. Não sei onde (tudo) vai acabar."
O mais preocupado ontem parecia ser o bicampeão Fernando Alonso, da Renault. "Não sei se esta será minha última vez em Mônaco porque, se os times grandes e as montadoras deixarem a F-1, eu não vou querer correr em times pequenos porque não será mais F-1." (Folhapress)

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