Escolinhas de vôlei já revelam talentos
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de novembro de 1998
Marcos Freitas 
As desistências de alguns patrocinadores em firmar parceria com o governo do Paraná para a implantação de Centros de Excelência em esporte certamente não foram por falta de um exemplo de sucesso. O Centro Rexona de Excelência de Voleibol, criado em fevereiro de 1997, é o melhor modelo de qualidade no ensino do esporte numa parceria entre as iniciativas pública e privada. Além de atender a população, as escolinhas já começam a revelar novos atletas.
Com 20 núcleos por todo o Estado, o centro atende aproximadamente quatro mil crianças. Encabeçado pelo técnico da Seleção Brasileira de vôlei feminino, Bernardo Resende, o projeto Rexona conta ainda com um time de ponta no voleibol brasileiro, o Rexona/Paraná, atual campeão da Superliga Nacional, também comandado por Bernardinho.
Além do título conquistado para o Paraná, o maior destaque é a descoberta de novos talentos. Um exemplo é Renato de Souza Correia da Silva, 12 anos, que mudou radicalmente de vida. Iniciado pela escolinha do Rexona, hoje ele é uma revelação e está treinando no Clube Curitibano.
Kraw PenasCeleiroCentro de Excelência de vôlei em atividade em Curitiba: talentos revelados em menos de dois anos de funcionamento de projeto que atende cerca de 4 mil crianças em 20 núcleos espalhados pelo EstadoNatural de Maringá, ele chegou a Curitiba em 1993 e estudou no Colégio 19 de Dezembro. A mãe está desempregada desde que a empresa de turismo onde trabalhava faliu, e o padrasto trabalha como maquinista de bate-estaca, em Araucária.
Sem nunca ter sido preparado por um técnico, Renato se inscreveu para a seleção do projeto do Centro Rexona de Excelência do Voleibol no Ginásio do Tarumã. Na seleção, a surpresa: conseguiu ficar entre os 600 melhores. Menos de um ano depois, ele foi descoberto pelo Clube Curitibano no Festival de Voleibol do Rexona.
Depois da indicação do professor Josmar, do Núcleo Rexona, o técnico das categorias mirim e pré-mirim do Clube Curitibano, Marcelo Ribaski, foi assistir a um jogo com a participação de Renato e acabou convidando-o para treinar pelo Curitibano. Dos treinos para a equipe foi um pulo.
Atleta da categoria pré-mirim, ele já conseguiu uma vaga também na categoria mirim, com garotos um pouco mais velhos. Já disputou este ano pelo Curitibano o Torneio Início da Federação Paranaense de Voleibol e sua equipe conquistou o segundo lugar. Atualmente, está disputando o Campeonato Regional.
De origem humilde, Renato mora no Parque São Jorge, em Almirante Tamandaré. Enfrenta uma enorme subida da sua casa ao ponto de ônibus e, depois, mais 1h30 de ônibus até chegar ao Clube Curitibano. Mal tem tempo de almoçar. Chega do colégio e já sai correndo para não se atrasar para o treino. Essa rotina se repete todas as segundas, quartas e sextas.
Hoje ele frequenta as aulas da 6ª série no Colégio Estadual Papa João Paulo I, em Almirante Tamandaré, mas logo passará a estudar num grande colégio particular de Curitiba, onde ganhou uma bolsa de estudos por conta de seu excelente desempenho como atleta e aluno.
Renato já virou um exemplo onde mora e incentivou outros colegas à prática do vôlei. O estudante Valmir da Silva, 12 anos, estuda com Renato e também é atleta do Curitibano graças ao exemplo do amigo e agora companheiro de quadra.
Segundo o técnico Ribaski, Renato só não mudou de escola ainda porque seria uma mudança muito radical. Não podemos tirá-lo completamente do meio em que convive e tão de repente. Estamos em fase de adaptação. Primeiro ele se adapta à nossa filosofia de trabalho, ao novo turno escolar, aos novos amigos. Depois muda de escola, onde receberá acompanhamento e orientação educacional.


