Fora das quatro linhas, o futebol paranaense tem se mostrado um território fértil para escândalos. Casos de suborno, calotes financeiros, falsificação de documentos e disputas judiciais passaram a fazer parte do dia-a-dia dos clubes e da própria Federação Paranaense de Futebol, que ontem completou 61 anos.
Os ‘‘cartolas’’ da Capital começaram a ganhar notoriedade nacional no dia 7 de maio de 97, quando a Rede Globo de Televisão, em pleno ‘‘Jornal Nacional’’, denunciou o esquema de corrupção na então Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (Conaf), comandada por Ivens Mendes, com quem o presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, manteve perigosas relações.
Gravações telefônicas reproduzindo diálogos de Petraglia e do presidente do Corinthians, Alberto Duailib, não deixavam dúvidas: os dois dirigentes prometiam mandar dinheiro ao ‘‘manda-chuva’’ da arbitragem, supostamente como contribuição para a campanha de Ivens Mendes a deputado federal em troca de favores.
Arquivo FolhaO enroladoCléber: duplo contratoPetraglia contra-ataca, dizendo-se vítima de uma chantagem. Pouco tempo depois, o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva suspendia o Atlético por 360 dias e anunciava o banimento de Petraglia do futebol.
No mês de agosto de 97, para comemorar 60 anos da FPF, o presidente Onaireves Rolim de Moura ofereceu uma festa black-tie, nos salões do Clube Curitibano. Reuniu cerca de 800 convidados e teve farta distribuição de medalhas de ouro. O detalhe curioso é que os telefones da Federação estavam cortados por falta de pagamento, assim como o fornecimento de água do Pinheirão.
Entre os convidados ilustres, o presidente da Fifa, João Havelange, e o seu ex-genro Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Arquivo FolhaRenato?Cleonício: documento falsoEm dezembro, o juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública, Leônidas Silva Filho, acatou um pedido do Procurador Fiscal do Município, Eládio Prados Júnior, e determinou a intervenção na Federação Paranaense, afastando Onaireves Moura da entidade.
O juiz nomeou Vicente Pascoal Rodacki - procurador aposentado da prefeitura, advogado e contador - como administrador temporário da FPF. A decisão foi tomada em função do não cumprimento de decisões judiciais e não quitação da dívida da FPF com a prefeitura referente ao IPTU, em torno de R$ 1,2 milhão.
A FPF também tem pendência judicial com o Atlético, por não cumprir acordo de uso do Estádio Pinheirão, no qual o clube teria 10% sobre o faturamento do estádio.
Nesta semana, por decisão do Tribunal de Alçada do Estado, Onaiveres Rolim de Moura foi reconduzido oficialmente à presidência da Federação. Para aproveitar a volta ao cargo, Moura programou um jantar ontem à noite para 400 pessoas no salão nobre do Estádio Pinheirão, em comemoração aos 61 anos de criação da FPF.

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