ESCÂNDALO NA ARBITRAGEM - Acusados questionam competência do TJD-PR
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terça-feira, 04 de outubro de 2005
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Encerrou ontem o prazo para a entrega facultativa da defesa dos 13 acusados de participar da suposta ''máfia do apito'' na Série Prata do Campeonato Paranaense. Apenas dois réus, dos dez que enviaram representação, apresentaram argumento diferente dos demais. O ex-presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Fernando Luís Homman, e o ex-árbitro e atual presidente do Sindicatos dos Árbitros do Paraná, Amoreti Carlos da Cruz, alegam que o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Paraná não tem competência para julgá-los, pois ambos estão desligados da federação.
As defesas de Amoreti e de Homman baseiam-se nos artigos 1º e 24º do Código de Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que, em resumo, aplicam jurisdição e competência ao TJD sobre pessoas físicas ou jurídicas ligadas direta ou indiretamente com a federação. Eles alegam então que, como ambos não trabalham e não têm mais vínculo com a FPF, não poderiam ser julgados por esse tribunal.
No entanto, o presidente do TJD, Bôrtolo Escorssim, discorda dessa linha de defesa. ''Eles foram indiciados como intermediários e serão julgados da mesma forma'', comentou ontem, argumentando que os réus classificados como intermediários poderiam ser qualquer pessoa com atividades sem ligação alguma com a entidade que estivessem envolvidas no esquema.
Também encaminharam defesa ao TJD os árbitros Antônio Salazar Moreno, Carlos Jack Rodrigues Magno, Marcos Tadeu da Silva Mafra e Sandro César da Rocha; o gerente de futebol do Foz, Genezio de Camargo; o ex-dirigente do Marechal Cândido Rondon, Gilson César Pacheco; o diretor do Operário de Ponta Grossa, Silvio Gubert; e o diretor-administrativo da FPF, José Johelson Pissaia. Todos negaram participação no esquema.
Deixaram de enviar argumentos para defesa o árbitro José Francisco de Oliveira, o Cidão; e os ex-presidente e ex-vice-presidente da então Comissão de Arbitragem da FPF, Valdir de Souza e Antônio Carvalho, respectivamente. O julgamento está marcado para a tarde da próxima segunda-feira e os réus, caso sejam condenados, serão eliminados de suas funções.
Acusações O presidente do Engenheiro Beltrão, Luiz Linhares, denunciado por um ex-jogador de participar da ''máfia do apito'' na Série Prata de 2004, continuou negando seu envolvimento e afirmou haver um complô contra seu clube. ''Não posso citar nomes mas sei de dois dirigentes da federação (FPF) que não gostam do Engenheiro Beltrão'', afirmou ontem à tarde.
Linhares também acusou estar no meio de uma ''briga de facções'' na arbitragem, supostamente polarizada por Carlos Jack Rodrigues Magno e Evandro Rogério Roman, réu e testemunha do julgamento do dia 10, respectivamente. Ambos estão orientados a não falar com a imprensa até a data da audiência, mas Roman negou ontem à tarde a existência de tal disputa.


