O coordenador da Seleção Brasileira, Zico, afirmou ontem que a presença de Ronaldinho na decisão contra a França foi um erro. ‘‘Ficou provado que não adianta nada escalar um jogador sem condição. O time perdeu muito em movimentação’’, afirmou Zico, que será o homem forte da Seleção depois da Copa do Mundo. O contrato do treinador Mario Jorge Zagallo vai até agosto, e Zico deve assumir o cargo de diretor do departamento de seleções da CBF. O técnico Wanderley Luxemburgo é o mais provável sucessor de Zagallo.
Zico negou que dirigentes da entidade pressionaram pela presença do atacante em campo ontem. ‘‘Não houve nenhuma pressão de ninguém para escalação de Ronaldinho. Foi o Zagallo quem decidiu que ele devia jogar. Ele entrou bem no vestiário, e o doutor liberou.’’ Segundo ele, o técnico arriscou. ‘‘A esperança de Zagallo era que Ronaldinho pudesse resolver o jogo em qualquer momento.’’ Zico afirmou que a culpa pela derrota não foi nem de Zagallo nem de Ronaldinho. ‘‘De qualquer maneira, todos jogaram muito mal.’’
Ronaldinho fez questão de reunir a imprensa para se defender das insinuações de que teria jogado mal a decisão da Copa do Mundo contra a França porque ficou com medo. ‘‘Não amarelei’’, afirmou o atacante, utilizando uma expressão típica do futebol para quando um jogador treme em uma partida decisiva. ‘‘Já participei de muitas decisões na minha carreira e essa era a que eu mais esperei em toda a minha vida.’’
Ronaldinho reforçou que em nenhum momento teve medo de enfrentar a Seleção Francesa. ‘‘Nós perdemos a Copa porque a França jogou melhor.’’ Segundo ele, o vice-campeonato é um bom resultado para o Brasil, que fez uma boa campanha no Mundial e perdeu para o melhor time da Copa. ‘‘Não foi o Brasil que perdeu, foi a França que ganhou.’’
Ele garantiu que a súbita indisposição sofrida antes da partida não comprometeu sua atuação no jogo contra a França. ‘‘Não tive nenhum problema em campo’’, comentou Ronaldinho. ‘‘O que aconteceu comigo não serve como desculpa pela perda do título.’’ O jogador destacou que só sentiu um pouco de tontura no lance em que trombou de frente com o goleiro Barthez.
A responsabilidade de carregar dois títulos consecutivos de melhor jogador do mundo, os contratos milionários, o assédio de fãs, jornalistas e empresários são fatores que podem ter contruibuído para que Ronaldinho sofresse uma crise em pleno dia da final da Copa. O jogador acredita que tem condições de superar toda essa pressão. ‘‘Até ontem suportei muito bem’’, afirmou. ‘‘O problema é que a crise aconteceu num dia muito importante.’’
Antes de se encontrar com os jornalistas, Ronaldinho tinha passado a manhã com a família na casa que alugou em Pontault-Combault. À tarde, de volta à concentração da Seleção Brasileira em Lésigny, Ronadinho chorou muito. A lembrança de todo o drama vivido no dia da final, terminando com a perda do título mundial, abalou o atacante. Ronaldinho sonhava em ser o artilheiro da Copa e conquistar o pentacampeonato para o Brasil.
A disposição em ganhar levou o atacante a pedir para jogar depois que os resultados dos exames que realizou em Paris, horas antes do início da final, indicaram que estava bem. O jogador agradeceu o apoio recebido dos companheiros, que aprovaram o seu retorno ao time. ‘‘Foi a melhor demonstração de como sou querido no grupo’’, destacou.
Ronaldinho pretende ficar um mês de férias no Brasil para se recuperar do desgaste físico e psicológico sofrido no Mundial. Ele também vai cuidar dos problemas nos dois joelhos que o incomodaram durante toda a campanha na França. Existe a possibilidade de ele ter de se submeter a uma cirurgia.

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