O escalador Nicola Martinez, 29 anos, paulistano radicado em Londrina, está preparando novos projetos. O aventureiro tem percorrido países em busca de desafios e novos locais para a prática de escalada e também pára-quedismo e base-jump (saltos de prédios e rochas com um pequeno pára-quedas).
Martinez conta que começou a escalar em 1997, na Pedreira do Jardim Cafezal (Zona Sul de Londrina), e começou a viajar em 2001, quando tirou a sua cidadania espanhola. Esteve na Espanha, Itália, Bélgica, Nova Zelândia, Canadá e principalmente nos Estados Unidos, onde fez as escaladas de maior grau de dificuldade.
Em visita à FOLHA, Martinez contou suas experiências e trouxe fotos das expedições ao Vale Yosemite, um parque nacional localizado no Estado da Califórnia, a Leste de São Francisco, onde ficam as maiores paredes de granito do mundo, com mais de mil metros de altura. A parede mais famosa do vale, chamada El Captain, não é a mais alta do planeta, mas constitui o maior monolito do mundo em termos de extensão de rocha. ''Já escalei o El Captain por sete vias diferentes e na mais difícil delas demorei 16 dias para chegar ao cume, subindo sozinho'', relatou.
Seu primeiro ano no Vale Yosemite foi 2004, quando permaneceu no local por oito meses escalando as rochas por diferentes vias. Em 2005 retornou ao parque. Para custear suas expedições, Martinez conta que trabalha em média seis meses por ano em qualquer tipo de atividade - seja nos Estados Unidos ou na Inglatera - e depois que consegue fazer uma reserva em dinheiro parte para desbravar novos lugares e realizar seus sonhos. ''Já trabalhei na construção civil, atrás de balcão de bar, fiz serviços de eletricista, fui motorista de caminhão, trabalhei em refúgios de montanhistas e fui até dobrador de pára-quedas'', disse.
Como toda escalada termina num topo, Martinez decidiu se dedicar também ao base-jump, que facilita em muito a descida do aventureiro. ''Depois que subimos, temos que descer a montanha. E como a maior parte dos acidentes ocorrem quando se está descendo, nada melhor e mais rápido que saltar de pára-quedas'', argumentou.
Entre os locais de onde já saltou, ele destacou uma ponte no Estado de Idaho (Meio-Oeste dos Estados Unidos), que é a única do País onde a prática do base-jump é legalizada. A ponte tem quase 150 metros de altura. O nome base-jump vem da sigla B.A.S.E. - iniciais de building (prédios), antena, span (pontes) e earth (terra, montanhas, rochas), locais de onde a pessoa parte para o salto.
Falando um pouco das escaladas ao El Captain, ele conta que como a aventura exige preparo, os escaladores chegam a carregar entre até 150 quilos de peso, o que inclui os equipamentos, roupas, alimentos, a barraca onde dormem (suspensos como um pintor que fica num andaime) e principalmente a água. ''A água é o que mais pesa, pois da vez em que levei 16 dias para subir a rocha consumi 80 litros de água, uma média de 4 litros/dia'', informou.

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