O caso Ronaldinho provocou um racha na equipe nos momentos que antecederam a final contra a França. Quando o técnico Zagallo anunciou aos jogadores que o atacante começaria jogando, apesar dos problemas físicos e emocionais pelos quais passou nas horas anteriores, iniciou-se uma discussão no vestiário brasileiro. Um grupo, liderado pelo volante e capitão Dunga, achava que Ronaldinho não deveria atuar, ficando apenas como opção para o segundo tempo. Outro, porém, do qual fazia parte o meia Leonardo, defendia a presença do atacante, posicionando-se ao lado de Zagallo.
Com a confusão instaurada, o trabalho de aquecimento para a partida teria sido prejudicado, e a comissão técnica optou por não colocar o time em campo antes da partida, ao contrário do que fizera nos outros jogos. Nas outras oportunidades, Zagallo pedia para que o preparador físico Paulo Paixão comandasse o aquecimento da equipe dentro do gramado.
Até as 20h30 de Paris (15h30 horário de Brasília), os jogadores achavam que Edmundo, o atleta que assistira a preleção do técnico Zagallo, seria o titular contra a França. Com a chegada de Ronaldinho e uma reunião a portas fechadas entre dirigentes da CBF (entre eles Ricardo Teixeira, presidente da entidade) e membros da comissão técnica, o grupo passou a desconfiar que poderia haver mudança na escalação do time.
Para Dunga, o melhor a fazer era esquecer o caso Ronaldinho e começar logo o aquecimento, mantendo-se tudo o que havia sido definido na preleção, com a entrada de Edmundo na equipe.
O grupo de Leonardo, no entanto, defendia que Zagallo sabia o que estava fazendo e que os jogadores deveriam aceitar a presença de Ronaldinho, como queria o treinador, mesmo que ele não estivesse 100% em condições. Com o racha, a Seleção teria entrado desestruturada no primeiro tempo, quando sofreu dois gols.
O próprio Dunga gritou menos do que nos jogos anteriores. Quando a equipe sofreu o primeiro gol, o capitão ainda tentou ‘‘acordar’’ seus companheiros, mas sem êxito.

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