São Pau­lo - Ser­gi­nho não gos­ta de apa­re­cer sor­rin­do nas fo­tos. No má­xi­mo, um ri­si­nho de can­to de bo­ca, a pe­di­do da fo­tó­gra­fa. ‘‘De­pois os ma­nos vão me ­zoar lá na ­vila’’, jus­ti­fi­ca o lí­be­ro da se­le­ção bra­si­lei­ra mas­cu­li­na de vô­lei. Mas, por ­mais que ten­te es­con­der, es­se pa­ra­naen­se de 33 ­anos, cria­do em Pi­ri­tu­ba, na zo­na Nor­te de São Pau­lo, tem mui­tos mo­ti­vos pa­ra sor­rir.
  Ao la­do da es­po­sa, Re­na­ta, e dos fi­lhos, Mar­lon e Ma­theus, ele dei­xou pa­ra ­trás o ­frio de Pia­cen­za, ci­da­de do nor­te da Itá­lia on­de jo­gou nas úl­ti­mas qua­tro tem­po­ra­das, e ago­ra de­fen­de o São Ber­nar­do/San­tan­der, ter­cei­ro me­lhor ti­me da Su­per­li­ga Mas­cu­li­na de Vô­lei. As­sim, Ser­gi­nho cur­te o cli­ma apra­zí­vel da re­gião do Pi­co do Ja­ra­guá, per­ti­nho de Pi­ri­tu­ba, em São Pau­lo.
  ‘‘Na Itá­lia, eu vi­via en­tre a mi­nha ca­sa e o gi­ná­sio. Só pas­sa­va ­frio, não via nin­guém nas ­ruas. ­Aqui no Bra­sil é uma ale­gria ­só’’, con­tou Ser­gi­nho, en­quan­to con­ver­sa com a re­por­ta­gem no ter­ra­ço de sua ca­sa, em um con­do­mí­nio ao la­do da Ro­do­via dos Ban­dei­ran­tes.
  A ca­sa tem ­ares de sí­tio. Ne­la, Ser­gi­nho ­cria ­seis ca­chor­ros e ­dois ca­va­los. ‘‘O ­Thor é meu ami­gão. Saí­mos pa­ra ca­val­gar à noi­te, con­ver­sa­mos to­dos os ­dias’’, re­ve­lou o jo­ga­dor, re­fe­rin­do-se ao ca­va­lo de 14 ­anos, da ra­ça cam­po­li­no.
  Há ain­da no lo­cal um cam­po de fu­te­bol pa­ra oi­to jo­ga­do­res (qua­tro de ca­da la­do), pis­ci­na e chur­ras­quei­ra. A re­gião é tão cal­ma que Ser­gi­nho já en­con­trou ­duas co­bras des­li­zan­do pe­la pis­ci­na. Al­go im­pen­sá­vel na Itá­lia.
  Na ga­ra­gem, ­três mi­mos do lí­be­ro: mo­de­los an­ti­gos de car­ros im­por­ta­dos, re­ple­tos de aces­só­rios e lus­tra­dos dia­ria­men­te. Co­mo que vi­gian­do os au­to­mó­veis, há na ga­ra­gem uma pa­re­de pin­ta­da por um ami­go com ­três ima­gens mar­can­tes da car­rei­ra de Ser­gi­nho: ele re­ce­ben­do a me­da­lha de ou­ro do Pan do Rio, em 2007; co­me­mo­ran­do o tí­tu­lo olím­pi­co de 2004; e de­fen­den­do a se­le­ção bra­si­lei­ra no Mun­dial de 2006.
  En­tre ida e vol­ta, Ser­gi­nho per­de qua­se qua­tro ho­ras por dia na via­gem pa­ra São Ber­nar­do do Cam­po, on­de trei­na e jo­ga. Nos ­dias de fol­ga, cha­ma os ami­gos pa­ra um chur­ras­co ou uma par­ti­da de fu­te­bol.
  Com con­tra­to até 2010 com o São Ber­nar­do/San­tan­der, Ser­gi­nho é mui­to ­mais fe­liz vi­ven­do e jo­gan­do no Bra­sil. ‘‘Por mim, fi­ca­ria ­aqui pa­ra ­sempre’’, avi­sou o lí­be­ro ti­tu­lar da se­le­ção bra­si­lei­ra nas con­quis­tas da me­da­lha de ou­ro olím­pi­ca (em Ate­nas/2004) e do bi­cam­peo­na­to mun­dial (na Ar­gen­ti­na/2002 e no Ja­pão/2006).

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