Rio de Janeiro - O árbitro Carlos Eugênio Simon, o único do Brasil indicado para a Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão, foi suspenso ontem das competições organizadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele ficará sem atividade no País pelo menos até o final da Copa dos Campeões, no início de agosto. A punição ocorreu por causa dos erros de Simon na vitória do Corinthians sobre o Brasiliense, por 2 a 1, na quarta-feira, no Morumbi, na primeira partida da final da Copa do Brasil.
Ele errou ao validar o segundo gol da equipe paulista e ao não marcar um pênalti a favor do time de Brasília. Como se não bastasse o afastamento pela CBF, Simon corre o risco também de ficar fora do Mundial. Isso pode ser formalizado se o árbitro for condenado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), pelos erros no jogo. A diretoria do Brasiliense vai levar o caso ao Tribunal. A Federação de Futebol de Brasília enviou representação ontem à CBF, solicitando a exclusão de Simon da Copa do Mundo.
Ainda ontem, o presidente do Brasiliense, o ex-senador Luís Estevão, esteve na CBF para pressionar os dirigentes da Comissão Nacional de Arbitragem. Foi bem recebido pela dupla que dirige o órgão, Armando Marques e Edson Resende de Oliveira. Depois, Estevão foi ao encontro do secretário-geral da CBF, Marco Antônio Teixeira, de quem ouviu a garantia de que seu clube estará na Taça Libertadores da América de 2003 se for o campeão da Copa do Brasil. O jogo decisivo será disputado na próxima quarta-feira, em Brasília.
Antes de se reunir com Teixeira, Estevão comentou em voz baixa, na sede da CBF, que ‘‘eles não perdem por esperar em Brasília’’, referindo-se ao Corinthians. Disse a um interlocutor que o local do jogo estará repleto de seguranças do Brasiliense, dentro e fora de campo, e que pensa em pôr ingressos à venda a preços bem populares para atrair o público. ‘‘Não vão nos tirar esse título na marra, vamos ver quem tem mais força’’, prosseguiu. Diante dos microfones, porém, demonstrou mais cautela.
Em Porto Alegre, após o seu retorno de São Paulo, ontem pela manhã, Simon adotou a ‘‘lei do silêncio’’. Procurado pela Agência Estado, o telefone fixo de sua residência não atendia qualquer ligação, assim como seus dois celulares, onde as ligações caíam na caixa de recados, sem qualquer retorno por parte do árbitro brasileiro da Copa. Procurado também pela maioria das rádios gaúchas, Simon não atendeu as solicitações de entrevista de ninguém.

mockup