Quando tudo parecia decidido a favor do Brasil no iatismo, mais uma decepção. Uma irregularidade na largada da final da classe star, na sexta à noite, tirou os brasileiros Torben Grael e Marcelo Ferreira da disputa pelo segundo ouro olímpico deles e pelo primeiro do país nos Jogos de Sydney. Eles foram eliminados da 11ª e última regata, deixando o caminho livre para os norte-americanos Mark Reinolds e Magnus Liljedahl conquistarem a medalha de ouro.
Na madrugada de anteontem, o Brasil também perdeu um ouro que parecia certo no iatismo, com Robert Scheidt, na laser, que perdeu o primeiro lugar na última regata para o britânico Ben Ainslie.
Mesmo eliminado, o barco brasileiro continuou na regata e acabou na décima colocação, que também seria insuficiente para dar a primeira medalha de ouro para o país em Sydney. Com a regata desta sexta, os brasileiros acabaram com a medalha de bronze, que, de qualquer forma, teve dois efeitos históricos.
Com ela, o iatismo ultrapassou o atletismo como a modalidade que mais garantiu medalhas para o país em Olimpíadas. Por um dia, o esporte teve 12 pódios, contra 11 do atletismo, que voltou a igualar novamente a disputa na madrugada de ontem, conseguindo a medalha de prata no revezamento 4 x 100 m.
O resultado da classe star também colocou Torben Grael novamente como o maior medalhista brasileiro da história. O pódio foi o quarto do iatista, igualando a marca do nadador Gustavo Borges. Grael tem a vantagem de já ter um ouro, além de uma prata e duas medalhas de bronze.
Grael só não conseguiu igualar o feito de Adhemar Ferreira da Silva, que continua como o único brasileiro com duas medalhas de ouro em Olimpíadas, conquistadas no salto triplo nos Jogos de 1952 e 1956.
Durante os Jogos de Sydney, a irregularidade conspirou contra Grael e Ferreira. Das 11 regatas disputadas na classe star, que tiveram a participação de 16 barcos, eles venceram duas. Em compensação, além da eliminação desta sexta, não conseguiram terminar entre os dez primeiros duas vezes, contra apenas uma, por exemplo do barco britânico, que ficou com a prata.
Para ganharem a medalha de bronze em Sydney, Torben Grael e Marcelo Ferreira utilizaram um equipamento exclusivo. Construído pelo estaleiro italiano Lilia, o barco usado pelos brasileiros em Sydney é apenas o segundo protótipo do modelo, que custou US$ 150 mil, contra apenas US$ 26 mil do que geralmente vale o equipamento normalmente usado na categoria.
Para conseguirem o barco, a dupla contou com o ótimo trânsito de Grael com os italianos, de quem é parceiro há muito tempo. Além do barco, Grael e Ferreira ainda tiveram uma estrutura invejável para conquistarem a medalha de bronze. O aparato teve de um sparring até um barco de apoio com técnico, material e alimentos. Lars Grael, irmão de Torben, ajudou na preparação disputando regatas simulando as condições do mar dee Sydney.

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