"Erro capital" custa caro à Ferrari
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sábado, 16 de outubro de 1999
Por Livio Oricchio 
Sepang, 17 (AE) - O diretor-técnico da Ferrari, o inglês Ross Brawn, abatido, explicou: "Ainda não sabemos se foi um erro de projeto ou de construção." Seja lá como for, esse pequeno detalhe custou carro à Ferrari. O artigo 3.12.1 do regulamento técnico diz: todo componente do carro localizado mais de 33 centímetros atrás do centro da roda dianteira, ou ainda 33 centímetros à frente do centro da roda traseira, e que é visível observando-se o veículo de baixo para cima, deve possuir uma superfície correspondente posicionada em paralelo com um dos dois planos do assoalho do veículo.
Essa complicação toda pode ser traduzida assim: se os comissários levantarem um carro de Fórmula 1, nenhum componente localizado dentro da faixa descrita pode ser observado. Eles devem ter a chamada "sombra" na altura do assoalho. Do ponto de vista prático, o que aconteceu com a Ferrari de Michael Schumacher e Eddie Irvine? A base dos defletores, elemento do conjunto aerodinâmico, não era grande o suficiente para impedir de a porção superior desse defletor ser vista, observando-se o veículo de baixo para cima. A base não fez a "sombra" para todo o defletor. Faltaram 10 milímetros na espessura e cerca de 60 milímetros na extensão dessa base.
Curiosamente, a Ferrari adotou essa solução desde o GP da Europa, prova anterior à corrida da Malásia. "Os comissários examinam uma série de itens todos os dias de GP, enquanto alguns são vistos esporadicamente", comentou hoje Brawn. Por esse motivo, Schumacher e Irvine, pole position e segundo colocado, sábado, na classificação para o grid, não foram desqualificados. Essa sutil medição da "sombra" do defletor não estava na ordem do dia.
Mas afinal para que serve essa sombra? Gary Anderson, projetista da Stewart, explica: "O objetivo da medida é restringir o uso de componentes aerodinâmicos separados do corpo do carro, o que pode torná-los bem mais velozes." A obrigatoriedade dessa superfície correspondente funciona como uma penalização às novas soluções, por diminuírem sua eficiência. Quer dizer então que a Ferrari teve grande vantagem com isso?
Segundo Anderson, nesse caso não. Mas há quem acredite nisso, como o coordenador da McLaren, Jo Ramirez. "Não posso precisar quanto, mas sem dúvida ajudou a equipe." Patrick Head lembrou que não se está discutindo se tornou o carro da Ferrari mais rápido ou não. "O regulamento não foi cumprido e pronto." Depois ele admitiu que a falta de 10 milímetros na base do defletor não foi representativa para o desempenho do carro.
Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari, já anunciou que apelará da decisão. Mas tanto Todt quanto Brawn admitiram a irregularidade, conforme citação do comunicado dos comissários da prova, os responsáveis pela desclassificação da Ferrari. Por melhor que seja a defesa, como a alegação de que não houve ganho com o "erro", o fato é que o regulamento não foi cumprido. A Ferrari deverá esperar mais uma temporada, no mínimo, para quebrar o tabu de 20 anos sem título no Mundial de Pilotos.


