Ed Carlos RochaErrado, mas nem tanto
Uma das questões mais discutidas no futebol brasileiro é a descontinuidade do trabalho dos treinadores no comando das equipes. Pouquíssimos são os casos em que o técnico fica mais de um ano num clube. Geralmente é demitido ou sai por conta própria, quando acumula alguns maus resultados, como aconteceu com o ex-técnico do Paraná Clube, Cláudio Duarte.
Nesse processo, a culpa cai sempre sobre os dirigentes, que são acusados de não darem chance para os treinadores realizarem um trabalho a longo prazo. Mas se é verdade que as constantes mudanças prejudicam o desenvolvimento de um trabalho, também é verdade que às vezes elas surtem efeito surpreendente.
O técnico Nelsinho, por exemplo, assumiu o São Paulo quando o time estava mal e em pouco tempo arrumou a equipe a ponto de levá-la ao título paulista. Caseiramente falando, dois casos ilustram bem essa situação.
Valdyr Espinosa assumiu o Coritiba quando a equipe, já com a maioria dos contratados, ainda não tinha um padrão de jogo nas mãos de Júlio César Leal e deixava nos torcedores e na própria diretoria, mais dúvidas do que certezas. Com alguns jogos, Espinosa deu uma ‘‘cara’’ para o time, que hoje é favorito ao título.
No Paraná Clube, a saída de Cláudio Duarte mudou o comportamento do time, que, sob os cuidados do auxiliar Paquito, enfrentou o Santos de igual para igual, pelo menos na vontade de ganhar. Contra o Iraty, já na mão de Otacílio Gonçalves, o Paraná não goleou, porque ainda carece de melhores jogadores de ataque, mas demonstrou uma ofensividade poucas vezes vista nesse time.
Diante disto, como incriminar os dirigentes pelas constantes mudanças?
Prova
O clássico de domingo vai ser uma prova de ferro para as duas equipes. No papel o Coritiba é melhor, mas o excesso de tranquilidade por já estar na final pode pesar contra. O Paraná está motivado pela liderança do quadrangular e sabe que uma vitória é meio caminho para a conquista do turno.
Inteligentíssimo
O presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Nilo Rolim de Moura, é realmente muito inteligente. Depois que voltou ao comando da entidade, após cinco meses de afastamento imposto pela Justiça, ele aparece a cada dia com uma novidade, todas, de certo modo, boas para o futebol no Estado.
Em vez de denúncias, corrupção e desvio de dinheiro, agora os assuntos são escalação de árbitros de fora, realização da Copa Paraná (que interessa principalmente aos clubes do interior) e destituição de Tribunal de Justiça Desportiva, que será novamente montado de acordo com a Lei Pelé. Além disso, Moura pretende também acertar com o governo estadual uma parceria para troca de notas fiscais por ingressos, como já é feito no Recife, com grande sucesso.
Com essas medidas, Moura vai fazendo cair no esquecimento as supostas irregularidades cometidas na sua administração e mostra que, bem ou mal, tem capacidade para trabalhar a favor do futebol paranaense.

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