Curitiba - O futebol paranaense caminha definitivamente para o fim de uma era de 22 anos, tempo dos sucessivos mandatos de Onaireves Moura na presidência da Federação Paranaense de Futebol (FPF). Tudo porque a 3Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) condenou o dirigente a uma suspensão de três anos e dois meses.
A derrocada do dirigente, que na última semana se afastou da presidência por 90 dias - alegando que somente assim poderia ser feita auditoria independente na entidade -, deu seus primeiros sinais no Campeonato Paranaense. Bastante questionada pelos clubes, que não podem se eximir de culpa pela perpetuação de Moura no poder, a gestão atual demonstrou sua fraqueza em uma série de interpelações judiciais, com destaques para a luta entre Engenheiro Beltrão e Toledo pela vaga na Série Ouro e pela eliminação do Rio Branco da Copa do Brasil.
O acúmulo de casos envolvendo clubes paranaenses chamaram a atenção dos auditores do STJD, que realizaram operação 'pente-fino' na entidade. Avaliação que resultou em três denúncias contra Moura, julgadas na última quarta. Na primeira, o presidente da FPF foi condenado a 60 dias de suspensão devido a uma charge publicada no site da FPF-TV, que mostrava o Rio Branco sendo golpeado pelo 'tapetão' do STJD.
Mais grave é a punição de três anos de afastamento, motivada pela apropriação indevida dos recursos destinados à Federação das Associações de Atletas Profissionais. Por lei, a FPF deveria recolher 1% da renda total de cada partida e repassar à fundação. No entanto, de acordo com os auditores do STJD, a entidade recolhia normalmente a taxa - com valor acumulado estimado em R$ 1 milhão - mas não dava os devidos fins.
Se foi condenado nos dois primeiros casos, Moura ganhou fôlego extra para reunir documentos para se defender da terceira acusação, exatamente a mais grave de todas. Mas ainda terá que explicar ao STJD porque passou a dividir o percentual de 5% das rendas destinados integralmente à FPF com a empresa Comfiar. De acordo com os auditores, a prática é fraudulenta, e foi adotada para evitar que o percentual das rendas destinado à federação fosse penhorado para o pagamento de dívidas. Afastado da federação, Moura não foi localizado para comentar as denúncias, mas já adiantou que irá recorrer ao Pleno do STJD.
Pinheirão - No mesmo dia em que seu principal dirigente foi condenado, a FPF sofreu outra derrota judicial. Atendendo à denúncia do Ministério Público, a 18 Vara Cível interditou integralmente o Estádio do Pinheirão, impedindo a realização de eventos desportivos e o funcionamento de empresas e entidades, como o TJD, sediadas no local. A interdição será mantida até que a FPF apresente laudos de vistoria do Corpo de Bombeiros atestando a adequação do estádio às normas de segurança.

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