Era fascinante pelo futebol e o folclore
Em 42 anos, desde a fundação (1964) até se declarar extinto para o futebol (2006), o União Bandeirante fez uma das histórias mais fascinantes do futebol paranaense, apesar de não ter sido campeão. ''Se tivesse a mídia que tem hoje, seríamos campeões'', presume Tião Abatiá. ''Atualmente está difícil fazer resultado; naquele tempo era fácil'', afirma convictamente em termos de arbitragens, mui especialmente a favor do Coritiba que, na impossibilidade de ganhar, saía com ''o empate arranjado'' no mínimo.
Reza o folclore que ''metiam a mão no União'' até em jogos na Vila Maria e Serafim Meneghel, o presidente, barbaça ostentando chapelão e revolver na cinta, invadiu o campo para coibir o árbitro. ''Contra o União, aqui ninguém bate pênalti'', berrou. E deu um tiro na bola.
Até hoje, porém, não se tem um certificado desta versão e há quem afirme que Serafim apenas convenceu o árbitro a esquecer o pênalti e marcar tiro de meta para o União, cujo adversário era o Seleto, de Paranaguá.
Vice-campeão estadual em 1966, 69, 71, 89 e 92, o União teve algumas formações que, se dizia, jogavam por ''telepatia''. E nelas despontavam no ataque Tião Abatiá e Paquito, a consagrada ''dupla caipira'', que o Coritiba levaria em 1971 e com ela seria quatro vezes campeão.
Vice em 92
Paulista de Votuporanga, o centroavante Alexandro Beretta passou pela ''peneira'' do Colorado (Curitiba) aos 17 anos (1986); foi para o Paraná e já estava no Olímpia (SP) ao transferir-se para se para o União, juntamente com Zequinha, no início da década de 90. Recorda que a Federação queria a decisão do estadual de 1992 (União X Londrina) no Pinheirão; outra opção seria Maringá, sugestão de dirigentes do Grêmio por conta da rivalidade com o Londrina.
Mas ficou para o Estádio do Café: dois empates sucessivos, 0 a 0 e 2 a 2, neste um dos gols do União marcado por Alexandro e outro por Vanderlei; Tadeu e Márcio para o Londrina. Perdendo o terceiro jogo (1 a 0), o União também deixou de ganhar o título. Assim mesmo, a decisão foi o ''passaporte'' de Alexandro para Portugal. Havia no Estádio do Café um olheiro do Vitória de Guimarães, que o levou. ''Fiquei cinco anos lá e joguei em quatro times, Beira-Mar e dois da segunda divisão os outros.''
Alexandro já havia se casado em Bandeirantes, com Valdirene; das duas filhas, Brenda e Beatriz, a primeira nasceu em Portugal. Formado em administração de empresas, Alexandro atualmente é chefe de gabinete do prefeito de Bandeirantes, Celso Silva. E guarda carinhosamente a camisa nove do União, que foi sua em 1992. (W.S.)





