Equipes podem perder atletas do exterior
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Marcos Freitas 
O Paraná/Rexona pode ficar sem Cintha, a jogadora que já defendeu o clube por duas temporadas e foi eleita a melhor estrangeira na Superliga Feminina de Vôlei na temporada 98/99. O motivo é a crise da moeda nacional, que pode prejudicar ainda outras jogadoras.
O esporte nacional está sofrendo com a alta do dólar. Desde janeiro deste ano quando a cotação da moeda brasileira perdeu força diante da moeda americana, os clubes vêm tendo sérias dificuldades em manter atletas estrangeiros. Como o contrato destes atletas tem como base o dólar, o acréscimo nos vencimentos dos jogadores chegou a 70% em média.
HolandesaCintha: melhor estrangeiraNesta temporada a alta da moeda americana já foi sentida por vários clubes esportivos no Brasil. No Paraná, o time de basquete do Londrina/Aguativa foi obrigado a dispensar os dois jogadores norte-americanos que figuravam em sua equipe justamente por causa dos salários. As baixas só não foram maiores por causa da multa rescisória nos contratos dos atletas que é muito alta.
Para a próxima temporada o problema deve persistir. No caso do time de vôlei, Paraná/Rexona, que tem em seu quadro de atletas duas jogadoras estrangeiras, a italiana Francesca Piccinini e a holandesa Cintha Boersma, o salário destas - jogadoras é superior a US$ 100 mil por temporada, alto demais para a realidade do vôlei nacional.
É difícil mantê-las, afinal um time de ponta gasta até R$ 3 milhões por temporada, afirma Luiz Fernado Nascimento, supervisor do Rexona/Paraná.
ItalianaFrancesca: US$ 100 mil por temporadaNo caso das estrangeiras do Paraná/Basquete, a americana Victória Bullet e a croata Vedrana, o problema é igual. Os salários praticamente dobraram nestes últimos meses. Porém, é bem provável que elas voltem a jogar pelo clube paranaense na próxima temporada. A relação destas atletas conosco passa do profissionalismo, é bem mais amizade do que qualquer outra coisa, afirma Marco Antonio Gatto, supervisor do Paraná Basquete Clube, que não pode revelar quanto ganham as jogadoras estrangeiras.
Segundo ele, Vic Bullet vai disputar nos próximos meses a WNBA (Womens National Basketball Association) e já demonstrou interesse em voltar a jogar no Paraná, mesmo que os salários não sejam os mesmos. No caso da croata Vedrana, ela viajou ontem para seu país a fim de se preparar para o campeonato europeu de seleções que acontece na Polônia de 18 de maio a quatro de junho. Por enquanto ela só quer pensar neste campeonato de onde sairão cinco seleções para as Olimpíadas, mas ela também quer voltar, informou Gatto.
Ranqueamento - Se o dólar é um problema de fora que afeta o esporte nacional, há ainda outros problemas internos a serem discutidos. No caso do vôlei, o ranqueamento das atletas para a próxima temporada pode ser um grande impecilho para as equipes, além da forma de disputa que não foi bem aceita por atletas, dirigentes e público em geral.
O ranqueamento de atletas no voleibol é feito anualmente, diferentemente do basquete que é válido por dois anos. A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) ainda não definiu a data do novo ranqueamento, mas há necessidade de mudança. Teremos sete grandes atletas para cinco times de ponta o que farão as outras duas atletas que sobrarem?, indaga o supervisor do Rexona.
Na temporada passada cada clube só pôde ter uma atleta com sete pontos além de duas atletas estrangeiras. Segundo Nascimento a CBV deve rever esta posição para a próxima Superliga. Eles terão que se adaptar à nova realidade de poucas equipes de ponta. Para ele, isso é um problema exclusivo da Superliga Feminina. No masculino não há polêmica, afinal existem vários times de ponta e outros ainda estão por chegar, disse.
Nascimento é a favor da volta do regulamento dos últimos cinco anos, diferente do disputado nesta Superliga. Para ele o campeonato ficou muito complicado com a atual fórmula. Esta história dos campeões dos turnos irem direto para as finais e depois esperarem os outros que disputam um playoff é confuso e não deu certo, opina. Para mim é mais fácil que as oito melhores equipes façam o playoff no cruzamento olímpico (1º x 8º, 2º x 7º, etc) até sair o campeão, diz.
No ranqueamento do basquete as atletas são divididas em A e B. Cada equipe só pode ter duas jogadoras em cada categoria, além de duas jogadoras estrangeiras. No caso do Paraná Basquete as atletas classe A são Silvia e Marta e na B Patricia e Cintia. Sobre as renovações dos contratos, o supervisor da equipe Marco Antonio Gatto informou que nas próximas semanas ele e a comissão téncnica da equipe, além da dirigente Hortência Marcari, vão se reunir em São Paulo para tratar do elenco.
No caso do Rexona/Paraná, o supervisor Luis Fernando Nascimento disse que não vai esperar o ranquemaneto da CBV para tratar de renovações. Já estamos conversando com as jogadoras mais novas e só vamos deixar para depois as jogadoras ranqueadas, disse. Amanhã ele se reúne com os executivos da Gessy, patrocinadora do Rexona, para tratar do planejamento da equipe para a próxima temporada.


