Equipes locais de alto rendimento cobram alternativas ao Moringão
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sábado, 27 de janeiro de 2018
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
O ano de 2018 promete ser intenso para as modalidades de quadra de Londrina o vôlei feminino estreia neste sábado (27) na Superliga B. Porém, um antigo problema voltou a atormentar as equipes de vôlei, basquete, handebol e futsal da cidade.
O ginásio do Moringão é o único do município apto a receber jogos oficiais. O local, no entanto, sofre com a infraestrutura antiga e os times ainda precisam disputar espaço no ginásio com eventos musicais, educacionais e religiosos. A dificuldade das equipes aumentou neste início de ano com a interdição do Moringão, em razão dos danos na quadra causados por uma inundação no fim de 2017. Como consequência, o Vôlei Positivo precisou alugar o ginásio do colégio Mãe de Deus para a sua primeira partida em casa na Superliga, no dia 3.
"É um problema que o município precisa resolver. Não se pode admitir que uma cidade como Londrina tenha apenas um ginásio em condições", criticou a ex-medalhista olímpica Elisângela Almeida, coordenadora do time de voleibol.
A FEL (Fundação de Esportes de Londrina) garante que está buscando a retomada de outros locais públicos, como o Palácio do Futsal e os ginásios dos jardins Bandeirantes e Campos Elísios, para que possam ser alternativas pelo menos para treinamentos. O município possui apenas cinco ginásios públicos.
O presidente da FEL, Fernando Madureira, alerta, no entanto, que o edital do Feipe (Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos) exige que os conveniados apresentem um local próprio para treinos. "O Moringão não pode ficar full time à disposição e sim para sediar apenas jogos e um treino de reconhecimento, se for o caso", frisou.
Uma das grandes reclamações dos esportistas é que o Moringão deixou há muito tempo de ser uma praça de esportes, já que grande parte da agenda está reservada para shows e formaturas. Em 2017, o ginásio abrigou 27 eventos esportivos e 12 de outras áreas. A FEL se defende alegando que a prioridade é o esporte, mas não pode quebrar contratos com os locatários a partir da reserva de datas.
"Estes eventos têm datas marcadas com muita antecedência, coisa que no esporte não é possível. Só recebi a tabela da Superliga em dezembro. Existem outros lugares na cidade para estes eventos. Quero dividir o Moringão com o handebol, com o basquete, com o futsal e não com eventos que nada têm a ver com o esporte", apontou Almeida.
Para o técnico do handebol, Giancarlos Ramirez, a solução passa pela necessidade da FEL de buscar maneiras de ter orçamento próprio para a manutenção do Moringão, sem precisar arrecadar com eventos não esportivos. "Desta maneira, o ginásio ficaria exclusivo para o esporte. Outra alternativa é criar uma cultura de grandes eventos esportivos na cidade para que tragam recursos para gerir o ginásio", sugeriu.
Uma das primeiras treinadoras de futsal feminino do Paraná, a hoje coordenadora da equipe Unopar/Londrina, Vanda Sanches, revela que o time sofre menos com a "falta" do Moringão, já que a parceria com a universidade permite treinar e jogar no ginásio da instituição. "Mesmo assim, temos uma limitação de público, de horário de jogo, além de ter que dividir com outras modalidades da universidade", afirmou. Para ela, somente a construção de um novo local resolveria a questão: "Londrina precisa de um ginásio médio, com a metade da capacidade do Moringão, com boa localização e boa estrutura. Isso evitaria muitos problemas".

Ginásio próprio
Londrina pode ganhar nos próximos meses um centro exclusivo para o desenvolvimento do handebol na cidade. O complexo vai compreender um ginásio para 1,5 mil torcedores e seria transformado no centro regional da CBH (Confederação Brasileira de Handebol) para o Sul do País.
O projeto é liderado pelo IHB (Instituto Internacional HandBrasil), tem apoio da CBH e da Prefeitura de Londrina e já foi apresentado no Ministério do Esporte no ano passado. Além de uma quadra com dimensões oficiais (40m x 20m), o centro terá academia, vestiários, áreas para fisioterapia, setor administrativo, casa do atleta, alojamento para 60 pessoas, camarotes, cabines de imprensa, área de alimentação e estacionamento. O projeto engloba ainda um local para a instalação de um palco, fora do espaço da quadra, para a realização de shows e eventos.
"É algo inédito para uma equipe de handebol do Brasil. Será também um legado para a cidade, que poderá abrigar grandes eventos, além de ser uma solução para desafogar o Moringão, já que outras modalidades poderão utilizar o espaço também", afirmou o técnico Giancarlos Ramirez, idealizador do projeto.
De acordo com o treinador, o complexo será utilizado pela equipe principal de handebol de Londrina, além das escolinhas de formação e também estará aberto à comunidade londrinense. "Teremos capacidade para atender até mil crianças neste espaço. A academia, por exemplo, poderá ser usada por moradores da região, assim como a quadra para a prática de outras modalidades", ressaltou Ramirez. "Com todas as possibilidades que o espaço vai proporcionar, vamos conseguir gerar recursos para a equipe, nos tornarmos independentes financeiramente, atrair novos patrocinadores e servir à população londrinense."
O projeto total está orçado em R$ 5 milhões e será construído em um terreno do município localizado na zona oeste. "O projeto foi muito bem avaliado no Ministério do Esporte e em fevereiro tenho uma nova reunião em Brasília para fecharmos este convênio e trazer este grande presente para Londrina", afirmou o presidente da FEL, Fernando Madureira.


