Atualmente nenhuma equipe da região Oeste do Paraná integra a Primeira Divisão do Campeonato Paranaense de Futebol. Mas não é por falta de equipes que isso acontece. Só em Cascavel três equipes lutam para colocar um representante na principal divisão do Estado. A novidade para este ano é a volta do Cascavel Esporte Clube que conquistou o título paranaense em 1980 e que há dois anos estava com suas atividades profissionais paralisadas.
Juntamente com a Sociedade Recreativa Cascavel (Sorec), o Cascavel EC estará disputando a Série A-2 que começa neste domingo. Uma das grandes atrações da rodada é a volta do ‘‘clássico da soja’’, envolvendo Cascavel e Toledo, que na década de 80 disputaram grandes partidas mexendo com o brio do torcedor do Oeste do Estado.
A outra equipe é o Cascavel S/A que disputa a Série A-1, e corre sério risco de não se classificar para a próxima fase do campeonato, pois ocupa a última posição de seu grupo faltando apenas uma rodada para o término da primeira fase. A equipe vem enfrentando alguns problemas, como atraso de salário, e o rendimento do time está sendo considerado muito ruim pela crítica esportiva.
A grande discussão entre os dirigentes, imprensa e torcedores é a existência de três equipes dentro da cidade. O presidente do Cascavel EC, Emílio Martini, diz que a quantidade de times é a grande chance de recuperação do futebol profissional. Ele observa que os torcedores e as empresas têm opções para escolher qual das equipes merecem ser apoiadas. ‘‘Dessa forma até as cobranças podem ser divididas. Temos a expectativa de voltar à 1ª divisão e devolver aos torcedores as alegrias do passado’’, afirma.
O vice-presidente da Sorec, Valter Estrela, afirma que as equipes devem lutar por seu espaço e que apenas uma equipe não satisfaz as expectativas da torcida. Ele ressalta que a falta de recursos financeiros, que vem sendo o grande problema dos times, não assusta devido à grande parcela de empresários que está apoiando a Sorec. ‘‘Nosso projeto é colocar a equipe na divisão principal em 2003, mas sabemos das dificuldades. Temos uma estrutura e bons atletas que podem fazer uma boa campanha’’, observa.
Já o diretor administrativo do Cascavel S/A, Jorge Tramontina, acredita não haver espaço para três equipes, pois apenas uma terá condições de seguir representando a cidade. Ele explica que existe apenas um estádio e um campo para treinos, e isso, pode causar dificuldades para a preparação das equipes. ‘‘A grande quantidade de times não ajuda em nada o município, era necessário unir forças para colocar uma equipe entre as grandes do Paranᒒ, relata.
O jornalista Édson Moraes, que acompanhou a fase áurea do futebol cascavelense, se mostra contrário à presença de várias equipes, por acreditar que nenhuma terá forças para representar com dignidade Cascavel. Ele se diz empolgado com a volta dos clássicos contra Toledo. ‘‘Acredito que a situação precária do futebol cascavelense está diretamente ligado ao fim do Toledo, pois as equipes sempre tiveram uma grande relação. Talvez seja a esperança da volta da tradição e glórias do Cascavel’’, diz.
Alguns torcedores mostram desconfiança com a existência de três equipes. É o caso de Adalberto Rosa que diz acompanhar o futebol na cidade, mas não chega a mostrar entusiasmo ao falar das equipes. ‘‘Por um lado é bom porque sempre teremos jogos para assistir, mas talvez seria melhor formar uma equipe forte e lutar pelo acesso’’, conclui.

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