Equipes começam a mostrar a cara da F-1
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de fevereiro de 2006
Livio Oricchio<br>Agência Estado 
São Paulo - Pode até ser que na etapa de abertura do Mundial de Fórmula 1, o GP de Bahrein, no dia 11 de março, os resultados não reflitam o que os testes da pré-temporada estão sugerindo. Afinal, treino é treino e corrida é corrida. Mas são boas as possibilidades de os ensaios encerrados na última sexta-feira, em Valência, reproduzirem com alguma fidelidade o atual momento de cada equipe.
Há um consenso entre os pilotos: o modelo R26 da Renault é o mais rápido, constante e resistente até agora. O campeão do mundo, Fernando Alonso, estabeleceu, na sexta-feira, o melhor tempo dos quatro dias de testes, com a marca de 1m10s552.
Com isso, parece provável que haverá uma repetição do início do último campeonato, quando a Renault dispunha do conjunto mais eficiente e abriu importante vantagem numérica sobre os adversários. Mas quem está mais perto da equipe francesa este ano não é a McLaren, como em 2005, e sim a Honda, de Rubens Barrichello e Jenson Button.
Rubinho registrou o melhor tempo do primeiro dia de treinos, na terça-feira, e no segundo concentrou-se no desenvolvimento de pneus. Já Button exigiu tudo do modelo Honda RA 106, na quinta, e ficou perto da melhor marca de Alonso, com 1m10s907.
É bom ver que nosso carro é competitivo, afirmou Rubinho. O bom planejamento e o fôlego financeiro dos japoneses da Honda fizeram de seu time o que mais treinou, fora a Ferrari, desde o começo dos testes, em 28 de novembro: nada menos de 15 mil quilômetros. No campeonato deste ano, com 19 etapas, irão percorrer, entre treinos e corridas, 13 mil quilômetros.
Estamos bem mais próxi-mos, disse Michael Schumacher, na quinta-feira, sem muita convicção. O modelo 248 F1 da Ferrari, com os novos pneus Bridgestone, agora possíveis de serem substituídos durante os GPs, não está tão atrás da Renault como em 2005. Os números, ainda que não totalmente conclusivos, indicam, no entanto, que ao menos no começo do Mundial, Schumacher e Felipe Massa deverão ter enormes dificuldades para acompanhar a Renault e a Honda, ambas com Michelin.
A decepção dos treinos tem sido a McLaren. Temos problemas de motor (Mercedes). Estamos atrasados, admitiu o atual vice-campeão mundial, o finlandês Kimi Raikkonen.
Em Valência, tanto Raikkonen como seu companheiro, o colombiano Juan Pablo Montoya, e os pilotos de testes não registraram marcas sequer próximas dos mais velozes. Não há nenhum sinal de que estejam escondendo o jogo, mesmo porque 14 mil quilômetros.
A Toyota, apesar de ser a primeira a começar a trabalhar com o modelo novo, ainda em novembro, mostrou boa resistência, mas pouca velocidade. Depois dos primeiros ensaios, acreditava-se que o F1.06 da nova BMW Sauber pudesse surpreender. Mas, em Valência, ele não confirmou seu potencial.
A Williams fez seus primeiros quilômetros com o FW28 em Valência e demonstrou boa velocidade. Os próximos ensaios tornarão suas possibilidades mais claras. Mesmo porque, o time enfrentará problemas com o orçamento enxuto.


