Madrid, 01 (AE) - Como o embarque dos carros para a disputa do GP do Canadá será no fim de semana, não há tempo a perder: McLaren, Stewart, Jordan e Benetton iniciaram hoje mesmo
dois dias depois da prova de Barcelona, os preparativos para a corrida de Montreal, programada para dia 13. Amanhã as escuderias Williams, Sauber e Prost treinam em Monza, enquanto Michael Schumacher testa sua Ferrari em Fiorano. Rubens Barrichello disse hoje que seu time, Stewart, descobriu o que fez o carro ficar tão desequilibrado no GP da Espanha.
Logo depois de vencer em Barcelona, domingo, Mika Hakkinen, da McLaren, declarou que a partir de agora a Fórmula 1 conhecerá o verdadeiro potencial do seu carro, o modelo MP4/14. "Sempre acreditei nele, com exceção de Mônaco, fomos sempre bem mais velozes que nossos adversários." Os 12 pontos que o separavam de Schumacher na classificação decorriam das quebras constantes do MP4/14, não da sua falta de velocidade. Essa diferença hoje é de apenas seis pontos, já que o alemão lidera o Mundial com 30 e Hakkinen chegou a 24. "Num certo sentido, o campeonato para nós começou na Espanha", revelou o finlandês.
Hoje, em Silverstone, Inglaterra, David Coulthard, companheiro de Hakkinen, foi o mais veloz do treino, com 1min26s40. Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, obteve o segundo tempo, 1min27s82, enquanto Rubens Barrichello registrou a terceira melhor marca, com 1min27s91. A pole do último GP da Grã Bretanha, disputado nesse circuito, foi de Hakkinen, com 1min23s271.
O piloto da Stewart contou que a sua desclassificação na prova de domingo foi justa. "Sem nenhuma intenção acabamos por desrespeitar o regulamento", afirmou. "Um parafuso que prende um dos discos de metal instalados sob a prancha de madeira do assoalho soltou-se, fazendo com que o disco ficasse num nível abaixo do da prancha", explicou. O regulamento exige que estejam na mesma altura.
Esse "degrau" ocasionado pelo disco fora do lugar gerou fluxos não uniformes de ar sob o assoalho. "Agora dá para compreender o comportamento do meu carro em Barcelona", comentou. "Um hora ele reagia de uma forma, durante a corrida, e em outra, na mesma situação, de maneira completamente diferente." Havia uma assimetria aerodinâmica.
Para evitar problemas como o da Stewart, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) proibiu, já a partir do GP do Canadá, o uso desses discos de metal sob a prancha.
Sua função era protegê-la dos toques no asfalto, causando maior desgaste do permitido na prancha. Por trás dessa história acha-se a intenção dos engenheiros de fazerem esses discos pesarem o máximo possível, por mais paradoxal que posssa parecer. Como hoje muitos carros estão abaixo dos 600 quilos exigidos pelo regulamento, as equipes usam um lastro. Colocar peso na prancha de madeira sob o assoalho representa uma grande vantagem, por ser o ponto mais baixo do veículo. Hoje, na Fórmula 1, mais do que em qualquer outra época, abaixar o centro de gravidade é vital.
Apesar de declarar que seus adversários estão ultrapassando a Stewart, Barrichello disse que o potencial do modelo SF-03 na prova catalã não era o exposto. "Tenho certeza de que, em condições normais, poderíamos nos classificar em quinto, atrás dos dois pilotos da McLaren e da Ferrari." A Stewart treina amanhã, em Silverstone, com o brasileiro e Johnny Herbert.

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