Agência Estado
De Sepang, Malásia
O diretor-técnico da Ferrari, o inglês Ross Brawn, abatido, explicou: ‘‘Ainda não sabemos se foi um erro de projeto ou de construção.’’ Seja lá como for, esse pequeno detalhe custou carro à Ferrari.
A complicação toda pode ser traduzida assim: se os comissários levantarem um carro de Fórmula 1, nenhum componente localizado dentro da faixa descrita pode ser observado. Eles devem ter a chamada ‘‘sombra’’ na altura do assoalho. Do ponto de vista prático, o que aconteceu com a Ferrari de Michael Schumacher e Eddie Irvine? A base dos defletores, elemento do conjunto aerodinâmico, não era grande o suficiente para impedir de a porção superior desse defletor ser vista, observando-se o veículo de baixo para cima. A base não fez a ‘‘sombra’’ para todo o defletor. Faltaram 10 milímetros na espessura e cerca de 60 milímetros na extensão dessa base.
Curiosamente, a Ferrari adotou essa solução desde o GP da Europa, prova anterior à da Malásia. ‘‘Os comissários olham uma série de ítens nos dias de GP, enquanto outros são vistos esporadicamente’’, disse Brawn.
Mas afinal para que serve essa sombra? Gary Anderson, projetista da Stewart, explica: ‘‘O objetivo da medida é restringir o uso de componentes aerodinâmicos separados do corpo do carro, o que pode torná-los bem mais velozes’’. Quer dizer então que a Ferrari teve grande vantagem com isso?
Segundo Anderson, nesse caso não. Mas há quem acredite nisso, como o coordenador da McLaren, Jo Ramirez. ‘‘Não posso precisar quanto, mas sem dúvida ajudou a equipe’’. Patrick Head lembrou que não se está discutindo se tornou o carro da Ferrari mais rápido ou não. ‘‘O regulamento não foi cumprido e pronto.’’ Depois ele admitiu que a falta de 10 milímetros na base do defletor não foi representativa para o desempenho do carro.

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