Rogério Fischer
Enviado da Folha
Retrospecto nunca ganhou jogo - e uma olhada no de Brasil x Uruguai só complica as coisas, principalmente em se tratando de uma final. No levantamento geral dos confrontos, a vantagem é verde-amarela: em 66 partidas, o Brasil venceu 32 e perdeu 19, com 15 empates. Mas, em decisões, a vantagem é celeste: nas seis vezes em que as duas seleções se enfrentaram, o Uruguai venceu quatro.
São 80 anos de rivalidade. O primeiro Brasil x Uruguai aconteceu em 1916; o último, em 96. No total, o Brasil marcou 115 gols e sofreu 85.
Levando-se em conta apenas as decisões de Copa América, a partida de hoje no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, tem um significado especial: Brasil e Uruguai vão desempatar, em campo neutro, o retrospecto que dá duas vitórias a cada equipe em finais do campeonato sul-americano de seleções.
O primeiro confronto em decisões de Copa América foi o que definiu o título de 1919. O Brasil venceu o Uruguai por 1 a 0 no Estádio das Laranjeiras, campo do Fluminense, no Rio de Janeiro. E, pelas informações da época, foi um ‘perereco’: a vitória foi definida após 122 minutos de jogo, com um gol de Friedenreich, aos dois minutos da segunda prorrogação (naquela época não havia decisão por pênaltis). A primeira prorrogação e o tempo normal de jogo terminaram empatados sem gols.
A vingança uruguaia aconteceu já no ano seguinte - e que vingança: em Valparaíso, no Chile, o Uruguai venceu por sonoros 6 a 0. Não era decisão de Copa América nem nada, mas merece registro por um ‘detalhe’: foi a derrota com maior diferença de gols já sofrida pela Seleção Brasileira em seus 85 anos de existência.
Os dois países voltaram a decidir o título continental - o mais antigo campeonato entre seleções do mundo - em 1983. As duas equipes não se enfrentavam desde 1959. E, em 83, a Copa América não teve sede fixa. A decisão se deu em jogos de ida e volta. Na primeira partida, em Montevidéu, o Uruguai fez 2 a 0. Na segunda, em Salvador, levou o caneco ao empatar por um gol.
O ‘troco’ não demorou. Veio seis anos depois, e em grande estilo. Em 89, num Maracanã com 150 mil pessoas, o Brasil quebrou um jejum de 40 anos sem conquistar a Copa América ao bater o Uruguai por 1 a 0 - e com gol de Romário.
Os rivais não deixaram por menos: em 95, jogando em casa, o Uruguai conquistou o título, no Estádio Centenário, na cobrança de pênaltis. No tempo normal, o atacante Túlio fez Brasil 1 a 0, mas Pablo Bengoechea, batendo falta, empatou. Depois de uma prorrogação sem gols, os uruguaios faturaram.
Nas outras duas vezes em que se encontraram em decisões, o Uruguai levou a melhor. Na final do Mundialito de 1981, no Estádio Centenário, o time da casa superou o Brasil de Zé Sérgio por 2 a 1 - gols de Barrios e Victorino contra um de Sócrates, cobrando pênalti. A outra decisão acontecera duas décadas antes, em 1950, no Maracanã. Mas desta é bom nem falar.

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