Equilíbrio deve marcar temporada de F-1
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quinta-feira, 04 de março de 2004
Agência Estado 
Melbourne, Austrália - O Campeonato Mundial de Fórmula 1 começa na madrugada deste domingo (horário de Brasília) com as melhores perspectivas possíveis. Poucas vezes a pré-temporada expôs uma paridade tão grande entre várias equipes. Ferrari, Williams e McLaren deverão disputar o título prova a prova, com chances ainda de, vez por outra, a Renault beliscar suas vitórias também. E até a BAR, ao menos pelo que fez nos testes, pode visitar o pódio em algum GP.
Os novos projetos de seus times, acompanhados do modelo 006 da BAR, estabeleceram recordes atrás de recordes nos três circuitos que treinaram: Barcelona, Jerez de la Frontera e Valência, todos na Espanha. Pela evolução demonstrada nos treinos pelas quatro escuderias, o avanço dos pneus Michelin, que equipam as quatro em relação ao Bridgestone, da Ferrari, a meta de impedir o sexto título de construtores consecutivo dos competentes italianos e o quinto, na sequência também, do excepcional Michael Schumacher, parece ser mesmo bem possível.
Há um consenso na Fórmula 1: o Mundial tem tudo para ser muito emocionante.
Há um porém: o forte calor pode gerar um resultado surpreendente no GP da Austrália. A opinião é unânime entre pilotos e técnicos. ''Realizamos os testes de inverno sob temperaturas frias'', lembrou ontem Michael Schumacher, da Ferrari. E já hoje, na sessão que definirá o grid da etapa de abertura do Mundial, em função da temperatura esperada, próxima dos 40 graus, como nos últimos dias, muito do que a pré-temporada mostrou como potencial de cada equipe, e de seus fornecedores de pneus, pode não servir de referência para a definição da pole position. Assim como para o que irá ocorrer domingo, ao longo das 58 voltas da corrida, o que realmente vale na Fórmula 1. ''O meu recorde em Ímola foi obtido sob temperatura de 3 graus'', comentou ontem Schumacher, como forma de mostrar que o resultado dos testes de inverno têm valor relativo.
Ontem a Renault já providenciou recortes na carenagem do modelo R24 para facilitar a saída do ar quente do conjunto posterior. ''Ninguém nunca experimentou até agora, este ano, temperaturas sequer parecidas com estas'', afirmou Rubens Barrichello, companheiro de Schumacher. Mas manifestou sua confiança na equipe: ''Certamente eles levaram em conta essa questão do calor para esta prova e da Malásia.'' Rubinho afirmou com todas as letras: ''Nunca as minhas chances de ser campeão do mundo foram tão grandes como neste ano.'' Ele começa o campeonato já com o modelo novo também, F2004, o que não acontecia.
O resultado das duas sessões de treinos livres realizadas da madrugada de ontem (horário de Brasília) no circuito Albert Park, não devem expressar igualmente aquilo que cada time pode conseguir ao longo do ano. ''Diria que nem domingo, depois da corrida. Serão precisas algumas etapas para ver quem tem mais chances de ser campeão'', disse Juan Pablo Montoya, da Williams, que, como o amigo Rubinho, se auto-intitula candidato sério ao título: ''Fiz 7 mil quilômetros de testes, há muitos anos a Williams não inicia tão bem o Mundial. Perdi o campeonato do ano passado porque o FW25 quebrou nas primeiras provas, por isso treinamos tanto, visando maior confiabilidade no carro.''
As tomadas de tempo para o GP da Austrália serão a 0h de hoje, com a corrida acontecendo amanhã, no mesmo horário (de Brasília).


