ENTREVISTA: ONAIREVES MOURA - 'Sem patrocínio é impossível'
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quarta-feira, 16 de março de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Maringá - Apesar de o Paraná conquistar terreno no futebol brasileiro dentro de campo, fora dele o Estado engatinha para ter uma estrutura profissional, que dê suporte aos clubes e que os mantenha em atividade durante toda a temporada. A Federação Paranaense de Futebol (FPF) não pretende conseguir um solução para o problema tão cedo. Pelo menos é o que garante o presidente da entidade, Onaireves Nilo Rolim de Moura, no poder há mais de 20 anos. A Folha conversou com o dirigente durante a estadia em Maringá para o confronto entre Cianorte e Corinthians, pela Copa do Brasil, na semana passada. Confira os principais trechos da entrevista.
Folha: A maioria das federações estaduais possui torneios que preenchem o segundo semestre dos clubes que não participam de nenhuma das três séries do Campeonato Brasileiro, como a Copa Federação, em São Paulo, e a Copa RS, no Rio Grande do Sul. A FPF estuda uma forma de criar alguma competição no Paraná nestes moldes?
Onaireves Moura: A maiorias dos clubes fica ocioso no profissional, mas temos a Copa Tribuna e o Paranaense de Juniores, além do Juvenil. Isso mantém os clubes em atividade.
Folha: Mas essas competições são para categorias de base e o profissional fecha as portas por oito meses.
Moura: Já até tentamos fazer um campeonato, mas sem objetivos não há motivação. Com o profissionalismo, Iraty, Cianorte e Roma se tornaram clubes importantes, demonstrando boa performance em função da estrutura no trabalho de base. Conseguir um patrocinador também é o problema. Na Sesquicentenário o governo do Estado entrou com o dinheiro. Sem patrocínio é impossível.
Folha: Mas por quê tanta dificuldade de conseguir patrocínio?
Moura: O grande problema é que enquanto São Paulo tem 64% do PIB brasileiro, o Paraná tem somente 8%.
Folha: Não tem como destinar uma vaga do Paraná na Copa do Brasil ou na Série C do Brasileiro ao vencedor desta competição como forma de motivar os clubes?
Moura: As três vagas da Copa do Brasil são disputadas no Paranaense, que é um dos atrativos da competição e os clubes não aceitariam.
Folha: Mas pelo que o Paraná representa hoje para o futebol brasileiro não era hora de pleitear uma vaga a mais para o Estado?
Moura: Temos buscado espaço. Melhoramos nossa colocação no ranking brasileiro, temos o Coritiba, o Atlético e o Paraná Clube na Primeira Divisão. Recebemos jogos da seleção brasileira. Tivemos também uma evolução patrimonial.
Folha: Mas dá para pleitear mais uma vaga ou não?
Moura: Estamos buscando espaço. A medida que os clubes se destacam, é bom, porque buscamos mais espaço. Outro problema é a questão das torcidas. O nosso campeonato não consegue ultrapassar a fronteira (sic) dos estados vizinhos. No Norte do Estado temos muita influência do futebol paulista, já no Oeste é do futebol gaúcho. Os clubes da capital quase não têm torcida no interior.
Folha: Isso não é culpa do favorecimento dado pela FPF, principalmente no passado, aos clubes de Curitiba? O senhor não acha que, devido a isso, foi criada uma antipatia a eles no interior?
Moura: Não. Acho que isso é muito culpa da imprensa. A imprensa curitibana é bastante bairrista e fica presa ali na capital e na região, sem atingir muito o interior.
Folha: O que o senhor acha do nível da arbitragem do Paranaense?
Moura:Estamos fazendo um grande esforço para prestigiar o quadro da Federação. Temos os árbitros Fifa, como é o caso do Héber (Roberto Lopes) e do (Roberto) Bratz, que de certa forma ajudam. Tivemos alguns lances complicados e procuramos conversar com o árbitro. Nossos diretores estão percorrendo o Estado, conversando com os árbitros. Mas tivemos algumas infelicidades.
Folha: Que nota o senhor dá para as arbitragens deste Paranaense?
Moura: Todos são idôneos. A FPF está tranquila. Testamos o preparo físico de todos, mas houveram alguns lances infelizes.
Folha: Mas que nota o senhor dá? Ou não dá nota nenhuma?
Moura: Não há uma nota. Aquele lance do Atlético foi muito constrangedor. A FPF não aceitará mais descuidos.


