O volante Dunga demonstrou irritação e descontrole em sua chegada a Porto Alegre no início da noite de ontem. Ele concedeu uma entrevista coletiva no aeroporto da capital gaúcha ao lado do goleiro Taffarel, pelo meia Émerson e pelo chefe da delegação brasileira na França, Fábio Koff. Dezenas de jornalistas foram colocados em uma pequena sala do aeroporto para fazer a entrevista.
Como o local não permitia uma organização adequada, Dunga deu um murro na mesa e disse que ia ‘‘acabar com a bagunça’’. No meio da entrevista, ele manifestou contrariedade com uma pergunta sobre o episódio que envolveu Ronaldinho. Em um comentário paralelo, Dunga chamou um jornalista presente de ‘‘arrogante’’.
Ele disse que não defendeu a não-escalação de Ronaldinho na partida final, conforme foi noticiado. ‘‘Isso seria falta de ética e de profissionalismo. Eu não iria me expor ao ridículo e pedir a retirada de um companheiro. Isso iria contra o princípio de união de grupo que eu prego.’’
Dunga afirmou que os jogadores sofreram um abalo devido ao problema que afetou Ronaldinho. ‘‘Trata-se de um companheiro, de um ser humano, do melhor jogador do mundo.’’ Ele disse que, no intervalo da partida, o técnico Zagallo perguntou como Ronaldinho estava se sentindo. O jogador disse que estava bem e que tinha condições de continuar atuando.
No Rio, o atacante Edmundo deixou claro que acredita ter sido vítima de um boicote na Seleção Brasileira e insinuou que o ambiente no grupo não era dos melhores durante a Copa da França. ‘‘Era público e notório isso aí (boicote). Há uma série de coisas que é melhor deixar para lá, porque tenho 27 anos e espero jogar novamente na Seleção. Então, eu vou acabar falando alguma coisa que não tem nada a ver. O sistema nos faz ser assim’’, disse.
‘‘Eu pude aprender um monte de coisas. Tinha que sorrir para quem não queria. Dar bom dia, boa tarde, boa noite. Quando fui convocado, achei que teria oportunidades, mas o treinador é o Zagallo’’, disse Edmundo na porta de sua casa, na Barra da Tijuca (zona sul do Rio).
O atacante só jogou duas vezes durante a Copa, sempre entrando no segundo tempo (contra Marrocos, na primeira fase, e contra França, na decisão), e disse saber que Zagallo não o escalaria.
‘‘Eu sabia que não iria jogar. Eu sabia que a coisa estava determinada, mesmo se eu fizesse dez gols em um treino ou numa partida. Treinei demais o tempo todo, me comportei como nunca. Eu estava preparado para jogar’’, garantiu.
Edmundo negou ter tido desavenças com outros jogadores durante a Copa do Mundo. Ele elogiou Ronaldinho, César Sampaio e Bebeto, ‘‘um cara sensacional, que merece as coisas boas que aconteceram para ele na Copa’’.

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